Ruth Fremson/The New York Times
Ruth Fremson/The New York Times

EUA derrubam regra relativa a concentração no setor de mídia

Com a mudança, um só grupo empresarial poderá ser dono de jornal e de rede de TV em um mesmo mercado

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 05h00

WASHINGTON – Adotada em 1975, a proibição de que empresas tenham redes de televisão e jornais no mesmo mercado foi revogada nesta quinta-feira, 16, pela agência que regula telecomunicações nos Estados Unidos, sob o argumento de que a regra não reflete uma realidade marcada pela emergência da TV a cabo e da internet. Também foi derrubado o limite sobre o número de emissoras que a mesma companhia pode ter em uma mesma região.

++Câmara dos EUA aprova reforma tributária, mas destino no Senado é incerto

A mudança foi aprovada com o voto dos três integrantes da Comissão Federal de Comunicações (FCC, em inglês) do Partido Republicano. As duas integrantes democratas se opuseram à proposta. Para elas, as alterações levarão à concentração ainda maior de conglomerados de mídia, em detrimento de veículos locais. 

++Citgo, uma ponte vital entre EUA e Venezuela

“As regulações sobre propriedade de mídia de 2017 devem refletir o mercado de mídia de 2017”, justificou o presidente da FCC, Ajit Pai, nomeado para o comando da entidade pelo presidente Donald Trump. “Com a indústria de jornais em crise, não faz sentido colocar barreiras regulatórias no caminho daqueles que querem comprar jornais”, afirmou.

++EUA reprovam intervenção militar no Zimbábue e pedem solução rápida

Um dos votos vencidos, Migon Clyburn disse que a mudança ameaçará a sobrevivência de meios de imprensa locais e reduzirá a diversidade de vozes na cobertura. Segundo ela, a nova regra ajudará grandes companhias a ficarem maiores. Clyburn ressaltou que a concentração contraria declarações de Trump em favor da competição. 

“Penso que devemos ter tantos veículos de imprensa quanto pudermos”, disse Trump no último sábado, 11, ao ser questionado sobre a fusão entre AT&T e Time Warner. Na semana passada, alguns jornais americanos disseram que o Departamento de Justiça exigiu a venda da CNN como condição para aprovar a fusão, o que não foi confirmado.

A CNN é um dos principais alvos dos ataques de Trump à imprensa, e a informação gerou suspeitas de o processo estava sendo conduzido com interesse político. A suposta exigência contrasta com o tratamento dado à fusão entre a conservadora Sinclair Broadcasting e a Tribune Media Company.

A operação será facilitada pelas decisões adotadas nesta quinta-feira pela FCC. A Sinclair tem uma cobertura simpática ao governo Trump e seu principal comentarista político trabalhou na campanha do presidente. As ações da companhia subiram 4,9% ontem, enquanto o índice Nasdaq teve alta de 1,4%.

A companhia foi beneficiada por outra decisão da FCC, também adotada com o placar de 3 a 2: permitir o uso de um novo padrão tecnológico de transmissão do qual a Sinclair é detentora da patente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.