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Estudar no exterior ainda pode compensar

LIGIA TUON , ESTADÃO.COM.BR - O Estado de S.Paulo

17 Junho 2012 | 03h 08

Mesmo com a mudança no câmbio, custo de faculdade na Europa pode ser inferior

Fazer uma graduação no exterior numa boa faculdade ficou mais fácil, nos últimos anos, para os brasileiros. Principalmente se comparado a uma instituição particular em São Paulo, onde o custo de vida é elevado e as mensalidades costumam ser salgadas. O desembolso para pegar um diploma pode ser até mais barato, dependendo da região da Europa e dos Estados Unidos. E, ainda que o real tenha se desvalorizado ante o euro e o dólar no último ano, especialistas afirmam que o momento ainda favorece o brasileiro.

Ao comparar um curso de administração na Faap, em São Paulo, um curso na mesma área em Londres, na UEA London (Inglaterra) e um semelhante em Madri (Espanha), na Universidad Antonio de Nebrija, o estudante conclui que a faculdade mais em conta fica na Europa. Pela ordem, os valores anuais médios são de R$ 34,8 mil, R$ 40 mil e R$ 23,4 mil. O aluno que optar por mudar-se para a Espanha terá um gasto total 48% menor. Se quiser ir para a Inglaterra, o gasto será 15% maior.

Depois de fazer as contas, Giuliana Robilard, que tem 19 anos e quer fazer faculdade de jornalismo, achou que fazer as malas e mudar-se para Londres seria a melhor opção. Escolheu estudar na Faculdade Metropolitana de Londres, com custo em torno de £ 10 mil por ano, o que corresponde a um pouco mais de R$ 2,5 mil por mês. "Se eu fizesse a faculdade no Rio, onde pretendia estudar, pagaria R$ 2 mil por mês", conta Giuliana, que viaja em agosto para a Inglaterra.

Câmbio. Apesar de o real estar se desvalorizando - a queda foi de 27% nos últimos 12 meses ante o dólar e de 13,9% em relação ao euro - a moeda continua forte. "Os produtos brasileiros ainda não estão competitivos lá no exterior, o que significa que a nossa moeda ainda está acima do que deveria para quem importa do Brasil", diz o educador financeiro André Massaro.

Embora seja difícil prever o que ocorrerá com a cotação do real, Massaro arrisca um palpite. "Considero que o dólar pode continuar subindo. Por isso, se a ideia é fazer uma viagem ou estudar fora, que seja agora", aconselha.

E os ventos andam mesmo soprando em direção ao outro continente para os brasileiros.

"As universidades estão com mais interesse hoje em receber estudantes internacionais e eles estão focados justamente na América Latina, já que o número de alunos asiáticos diminuiu, sobretudo por causa da crise", explica Fabiana Fernandes, gerente de produto da Central de Intercâmbios (CI).

Na prática, isso significa que, além de brasileiros terem mais opções, as condições de pagamento também podem ser facilitadas. "É muito comum agora que as instituições europeias e americanas permitam que o aluno parcele seu curso mensalmente ou por semestre. Antes não era assim", diz Fabiana.

Esse interesse por universidades do exterior dos alunos brasileiros também está relacionado com o momento da economia no País. "O brasileiro tem mais condições de fazer uma faculdade no exterior hoje em dia pela melhora da renda da população e, principalmente, pelo momento mais sólido da economia no País, apesar das incertezas da crise", acrescenta Renata Santana, gerente de educação internacional da agência de intercâmbio STB.

Custo de vida. O único ponto em que o Brasil ainda ganha em todos os aspectos em relação a países da Europa e Estados Unidos é o custo de vida. Mas, ainda assim, a diferença pode não ser tão grande, se a base de comparação for São Paulo.

Segundo levantamento da agência Exchange International Brazil (EI), para que um estudante estrangeiro more no Brasil, ele precisa desembolsar cerca de R$ 16,8 mil por ano. A pesquisa inclui gastos como alimentação (R$ 400 por mês), transporte (R$ 300), aulas de inglês (R$ 300), água, energia e internet (R$ 200) e lazer (R$ 200).

Para as principais agências de viagens da capital, o equivalente em Madri é de R$ 31,2 mil, nos EUA, de R$ 26,8 mil e em Londres, R$ 41,7 mil. "Diferentemente da média do País, em São Paulo o custo médio pode ser de até R$ 23 mil por ano", afirma Ricardo Raposo, sócio-diretor da EI Brazil. "Não é tão diferente do que se gasta em outras metrópoles."

O custo de vida para Giuliana vai incluir R$ 2,5 mil por mês de aluguel, mais cerca de R$ 320 por semana, para outros gastos. "Não acho que seria muito diferente do que pagaria no Rio, que é uma capital cara", conta.

Para Rafael Parpinel Cavina, de 21 anos, o custo de vida em Paris também não é o maior dos seus problemas. "Com pouco menos de 1 mil por mês consigo me manter aqui", diz. Ele faz engenharia na Faculdade Politécnica de Paris e pode até exercer sua profissão lá. "Estou me adaptando à cultura e a língua já não é mais um grande desafio", conta ele, que está na França há um ano e meio.

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