Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Estudo aponta que irmãos Batista não cometeram crime financeiro, diz JBS

Levantamento encomendado pela própria JBS sugere fundamentos teóricos para a estratégia de proteção cambial e de ações praticada pela companhia

Camila Turtelli, Broadcast

04 Outubro 2017 | 12h44

Um estudo encomendado pela JBS apontaria que as operações de compra de dólares e negociação de ações feitas no período no segundo trimestre de 2017 ocorreram "dentro da normalidade". Realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), o levantamento, segundo nota divulgada pela empresa JBS nesta quarta-feira, 4, não viu indícios de uso de informações privilegiadas para operações financeiras.

O estudo contradiz investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que aponta indícios de que os irmãos Wesley e Joesley Batistas, dias antes do vazamento da delação premiada para a equipe do ex-procurador geral Rodrigo Janot, fizeram operações de câmbio e na Bolsa de Valores para se beneficiarem do impacto da notícia no mercado financeiro. Os irmãos Wesley e Joesley Batista foram presos no âmbito destas apurações.

Ainda de acordo com a JBS, o estudo aponta que havia subsídios econômicos para a estratégia de derivativos cambiais adotados pela companhia e que as operações com derivativos fazem parte da rotina operacional da empresa.

"A exposição ao risco cambial da JBS era muito superior aos volumes de derivativos contratados; portanto, poderia inclusive ter sido verificado ganhos superiores aos realizados", diz o estudo, segundo a JBS.

Na nota, a JBS diz que os pesquisadores afirmam que havia outros participantes de mercado que também divulgavam suas expectativas, baseadas em julgamento técnico, de que o real estava sobrevalorizado frente ao dólar.

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O relatório aponta que o montante recomprado em 2016 (79.555.300 ações ao custo de R$ 823.638.892,35) foi significativamente maior do que o realizado em 2017 (25.307.000 ações ao custo de R$ 255.938.224,48), diz a empresa.

"As recompras no ano de 2017, assim como em 2016, decorreram de Planos de Recompra devidamente aprovados pelo Conselho de Administração e devidamente divulgados ao mercado. Não podemos afirmar que não existia fundamento econômico para as recompras efetuadas pela JBS no ano de 2017. Nossas análises indicaram que existiam indícios de que ação estava barata à época dos fatos", diz a nota sobre o conteúdo do estudo.

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A JBS afirma ainda que o trabalho indica que o preço-alvo ("valor justo") médio para a ação da JBS, a partir de uma amostra de 11 relatórios de analistas de ações entre dezembro de 2016 e março de 2017, foi de R$ 17,22. Ao fim do pregão anterior à data da 1ª recompra, em 20 de abril de 2017, a ação estava cotada em R$ 10,01.

O Estadão/Broadcast ainda não obteve acesso ao levantamento da Fipecafi.

Esclarecimento. A Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuarias e Financeiras (Fipecafi) afirmou que, em estudo contratado pela JBS, não identificou indícios de anormalidade em operações realizadas pela empresa. Em nota, a fundação ressaltou que seu objeto de estudo foi a JBS. "Não foram analisadas transações com ações realizadas por sua controladora - a J&F - ou por seus acionistas controladores". A Fipecafi afirma ainda que o estudo não contemplou análise de processos administrativos e judiciais da companhia. "Temas relacionados a eventual acesso a informações privilegiadas, tipificações administrativas ou penais não foram alvo do trabalho", diz.

O objetivo, segundo a fundação, foi realizar uma análise científica, descritiva e imparcial dos mercados e das transações à época dos fatos. A Fipecafi ressalta que o estudo não se constitui em exame de auditoria contábil nem operacional da companhia. Tampouco analisa as políticas de compliance ou de governança da empresa relativas às operações realizadas no mercado financeiro. O trabalho foi dividido em duas partes: Estudo sobre as operações de recompra de ações da JBS S.A. nos meses de abril e maio de 2017 e Estudo sobre as operações de contratação de derivativos cambiais pela JBS S.A. no mês de maio de 2017.

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A primeira parte teve por objetivo geral analisar o impacto das operações de recompra de ações ordinárias da JBS, no mercado à vista, realizadas pela empresa nos meses de abril e maio de 2017. Uma das conclusões foi que não se pode afirmar que não existisse fundamento econômico para as recompras efetuadas. A análise revelou que havia indícios de que a ação estava "barata" à época dos fatos, o que sugere o cumprimento do objetivo do plano de recompras, qual seja, o de maximização do valor da empresa para os acionistas.

Sobre as operações no mercado de câmbio, o objetivo geral do estudo foi verificar se as transações realizadas pela JBS com derivativos no mês de maio de 2017 apresentaram evidências que pudessem caracterizá-las como operações anormais. Entre as conclusões, a Fipecafi disse não ter encontrado evidências de que as operações fossem anormais, quando comparadas com as dos dois anos anteriores.

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