AP Photo/Paul Beaty
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Estudo do comportamento pode transformar políticas públicas

Para especialistas, economia comportamental, área que rendeu Nobel a Richard H. Thaler, aponta caminhos para melhorar Previdência e poupança

Douglas Gavras , O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 05h00

Enquanto os pesquisadores da chamada economia comportamental tentam demonstrar o quanto as pessoas não são coerentes em suas escolhas, para especialistas em finanças ouvidos pelo Estado, o estudo do comportamento na tomada de decisões, que valeu o Nobel a Richard H. Thaler, pode ajudar a definir políticas públicas.

Para Ricardo Dias Brito, do Insper, a economia comportamental ganha ainda mais importância em um momento em que a população brasileira está envelhecendo e a decisão de poupar e pensar no futuro se tornou central. “Se antes, a expectativa de vida menor fazia com que o brasileiro pudesse aproveitar pouco a própria aposentadoria, hoje as pessoas têm décadas de vida financeira ativa – é preciso considerar essa mudança.”

“Os profissionais de marketing já definem estratégias baseadas no comportamento humano há muito tempo, mas só recentemente os governos acordaram para isso”, lembra Frederico Shu, chefe da Coordenação de Estudos Comportamentais e Pesquisa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

“O que a gente observa, por exemplo, é que os programas tradicionais de educação financeira, em uma sala de aula, meramente expositivo, têm resultados limitados. As políticas públicas nesse sentido ainda se concentram em falar para a pessoa não gastar mais do que ganha. É o mesmo que dizer para alguém parar de fumar e começar a se alimentar melhor.” 

A entidade tem testado princípios da economia comportamental estudados por Thaler para mudar o formato de programas de educação financeira e, assim, ajudar a diminuir o baixo nível de poupança da população brasileira. “Nós poupamos bem menos que a média mundial, o que influencia o desenvolvimento econômico do País.”

“O Nobel ajuda a comprovar como uma área da economia, antes considerada alternativa, ganha mais protagonismo”, diz a economista Claudia Yoshinaga, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Há diferenças culturais entre países, mas nos principais aspectos, como a racionalidade limitada e a falta de autocontrole, somos parecidos.”

Ela lembra que os estudos de Thaler mostram que, em países em que as pessoas podem escolher onde aplicar os recursos da aposentadoria, a maioria mantém o investimento escolhido inicialmente. “Uma política eficiente seria garantir que sejam oferecidas boas opções de investimento no início da carreira.”

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