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EUA devem adotar cota para importação de aço brasileiro sem sobretaxa

Indicação foi dada pelo secretário de comércio americano ao chanceler brasileiro, Aloysio Nunes

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 16h42

LIMA - Os Estados Unidos indicaram ao Brasil que adotarão sistema de cotas para a entrada de aço importado sem restrição tarifária. A sinalização foi dada pelo secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, em reunião com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Na conversa, o norte-americano reconheceu que o Brasil “não é um problema” para Washington na questão do aço e, por isso, terá o benefício. O governo brasileiro comemorou.

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Após a crise comercial gerada pelo governo Donald Trump ao sobretaxar a entrada de aço importado em 25%, o imbróglio parece que começa a se resolver. Ontem, Ross indicou que Washington tem interesse em resolver rapidamente a situação do Brasil no tema e propôs a adoção de um sistema de cotas para o aço de países que não são considerados “problema”. Brasil e Coreia do Sul foram mencionados, sendo que as conversas com os coreanos estão mais avançadas.

Nesse novo sistema de cotas, Washington não adotará nenhuma sobretaxa para o aço previsto na cota de cada país. A solução não deverá beneficiar exportadores como China, Índia e Rússia. Ações de siderúrgicas reagiram positivamente e fecharam o dia em firme alta.

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Ao chanceler, o secretário norte-americano reconheceu que o aço do Brasil não é um problema para o governo Trump. O argumento é que, apesar de ser exportador do produto, a relação comercial entre os dois países é favorável para os EUA e o capital brasileiro tem investimentos em solo norte-americano, inclusive com geração de empregos no segmento siderúrgico.

O governo brasileiro acredita que o novo sistema deve ser anunciado até o fim do mês – quando termina a isenção temporária ao material vindo do Brasil. Caso as negociações se estendam por mais tempo, o secretário dos EUA indicou ao Brasil que eventual entrada sobretaxada poderá ter compensação tributária posterior.

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Na reunião, os EUA indicam que não desejam permitir que o espaço do aço de países como a China seja ocupado por terceiros. A afirmação foi entendida pelo Brasil como sinalização de que o volume atribuído aos brasileiros tende a permanecer estável, sem perspectiva de crescimento nos próximos anos. Uma das autoridades brasileiras que participaram do encontro disse ao Estadão/Broadcast, sob a condição de anonimato, que é melhor exportar sem taxa com volume fixo do que não entrar no mercado americano.

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Ross explicou que o Brasil tende a ser beneficiado pela cota porque o governo Trump não vê risco de que o País se transformar em uma base de exportação “triangulada” de empresas chineses. Ou seja, não há risco de o País se transformar em plataforma asiática disfarça de exportação do aço.

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Durante as conversas, representantes do governo dos EUA também sinalizaram que Washington tem posição mais construtiva sobre a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dois países trabalham para a criação de um fórum permanente de segurança pública entre Brasil e EUA.

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