Evasão e reajuste são os desafios das companhias de ensino

Apesar do impacto das mudanças no Fies, companhias conseguiram resultados positivos no primeiro trimestre

DAYANNE SOUSA, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2015 | 02h06

As companhias de ensino superior conseguiram resultados positivos no primeiro trimestre apesar dos impactos das mudanças recentes no programa de financiamento estudantil do governo, o Fies. Crescimento nas matrículas e nas margens foi bem recebido pelo mercado, mas as preocupações agora se voltam para evasão e preços.

Para os resultados de janeiro a março, as empresas do setor se destacaram positivamente ao conseguir amenizar efeitos negativos com ofertas de programas de financiamento próprios, além do aumento da rentabilidade com redução de custos e captura de sinergias após aquisições.

O encolhimento do Fies, porém, é uma preocupação futura porque pode levar alunos a abandonarem as salas de aula no segundo semestre ao mesmo tempo em que, para atrair estudantes, as empresas correm o risco de não conseguir reajustar suas mensalidades de forma a compensar a inflação.

Evasão. Os índices de evasão já aumentaram no primeiro trimestre, ressalta a analista do BB Investimentos Gabriela Cortez. Na média, Kroton, Anima e Ser Educacional tiveram em torno de 12% de evasão no ensino presencial ante um patamar de 8% a 9% em 2014. A exceção foi a Estácio, com evasão de 2,9%, mas a companhia sofreu de outra forma: deu descontos altos e não conseguiu repassar a inflação aos preços.

"A atenção dos investidores está agora em um potencial aumento nas taxas de evasão, em razão da maior restrição do Fies", disse José Cataldo, da Ágora Corretora. Gabriela, do BB, acredita que as empresas têm meios de reverter o aumento da evasão acompanhando mais de perto a evolução dos alunos.

Junto com o risco de evasão, está o de preço. Estudo feito pela consultoria Hoper considera que é possível esperar uma política de descontos mais intensiva das companhias de ensino na tentativa de evitar a desistência. A expectativa de alta do desemprego também contribui para esse efeito. Além disso, o fato de que alunos sem Fies podem optar por instituições de menor preço aumenta a agressividade na competição.

Na Estácio, a alta do tíquete médio no ensino presencial foi de 5%, abaixo da inflação em razão de descontos, disse o diretor financeiro, Virgílio Gibbon. Para enfrentar o risco de evasão, a companhia lançou dois programas de retenção.

Na Kroton, também houve descontos, mas eles foram considerados pontuais. "Em determinadas praças onde temos mais concorrentes, vimos um recrudescimento da competição e, nessas regiões, decidimos aumentar descontos", reconheceu Rodrigo Galindo, presidente da companhia.

Financiamento. Programas de financiamento alternativos ao Fies têm sido usados para mitigar esses impactos. Estácio, Anima e Ser firmaram parceria com a empresa de crédito Ideal Invest com juros subsidiados. Já na Kroton, 22,8 mil alunos foram matriculados num programa de "empréstimo-ponte" sem juros. O setor, porém, ainda precisa de mais definições sobre o futuro do financiamento privado. A Kroton já informou que estuda a criação de uma joint venture para ofertar crédito e a Ser também trabalha para refinar seu programa de financiamento próprio, o Educred.

Ontem, a Kroton divulgou projeções para este ano, com expectativa de aumentar margens com base em sinergias na fusão com a Anhanguera, notícia bem recebida por analistas. Victor Schabbel e Lucas Lopes, do Credit Suisse, afirmaram que, mesmo antes de considerar os desafios macroeconômicos e setoriais, é forte a previsão da companhia de 37% de margem Ebitda.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.