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Eventos envolvendo Lula elevam ainda mais incerteza política no Brasil, diz Fitch

Em um novo relatório sobre o País, agência alerta para os riscos de piora do cenário e do rating soberano brasileiro  

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Altamiro Silva Junior, correspondente,
O Estado de S.Paulo

11 Março 2016 | 08h45

NOVA YORK - Os recentes eventos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo seu depoimento na Polícia Federal, ajudam a aumentar ainda mais a incerteza em um já difícil cenário político no Brasil, afirma a agência de classificação de risco Fitch Ratings em um novo relatório sobre o País, em que alerta para os riscos de piora do cenário e do rating soberano brasileiro. 

O acirramento dos ânimos na política nos últimos dias devem tirar o foco do Congresso em aprovar medidas econômicas, avalia a Fitch. "Esse movimento sugere que o foco político e a energia do Congresso podem ser consumidos em conter as consequências do avanço das investigações da Lava Jato e os procedimentos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff", afirma a Fitch no relatório. Nesta quinta-feira, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva de Lula. 

A Fitch ressalta que o governo estava planejando a reforma da Previdência e a introdução de tetos para os gastos públicos para melhorar as perspectivas fiscais de médio prazo e melhorar as expectativas dos agentes. "Mas a situação política pode fazer o progresso nestas questões bastante difícil", afirma o relatório.

Na última segunda-feira, a Fitch revisou para baixo a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2016 e agora espera contração de 3,5%, acima da queda de 2,5% da estimativa anterior. Em 2017, a projeção de crescimento do PIB foi reduzida de alta de 1,2% para expansão de 0,7%. "Riscos de piora para nossas previsões ainda persistem", afirma o relatório. "O contínuo impacto dos níveis baixos de confiança dos agentes, incerteza política e ventos contrários mais fortes vindos do exterior estão por trás da decisão de reduzir as projeções", afirma o relatório ao comentar o corte nas projeções.

A profundidade e a duração maior da recessão ressaltam o risco de que a persistente fraqueza da economia pode continuar a piorar a consolidação fiscal, por meio da queda da arrecadação, ressalta a Fitch. Com isso, a trajetória da dívida bruta deve seguir em alta. Em um evento para discutir o Brasil em Nova York na última terça-feira, a diretora da Fitch especializada no país disse que até agora em 2016, a evolução do cenário político e econômico têm sido decepcionantes.

'O desempenho da economia, das contas fiscais e a evolução do cenário político permanecem fatores essenciais para nossa avaliação do rating soberano do Brasil', disse a Fitch
A Fitch avalia que um processo lento de impeachment e preocupações com a piora das contas fiscais devem contribuir para manter a confiança dos agentes em níveis historicamente baixos, impedindo a recuperação do PIB. Ainda no mercado doméstico, o aumento do desemprego deve contribuir para reduzir o consumo. A elevada incerteza política e perspectiva de PIB fraco devem provocar outra queda nítida no investimento privado, afirma o relatório, destacando que em 2015 já houve recuo de 14%. No cenário externo, os fantasmas para o Brasil são a desaceleração da China, a ameaça de mais quedas nos preços das commodities e o estresse no mercado financeiro.

Rebaixamento. "O desempenho da economia, das contas fiscais e a evolução do cenário político permanecem fatores essenciais para nossa avaliação do rating soberano do Brasil", afirma a Fitch. A piora das projeções do PIB para o Brasil é um indicador do risco de piora do rating soberano, afirma a agência. 

Outro fator negativo para o rating soberano brasileiro, diz a agência, é o pedido do Planalto ao Congresso para ter mais flexibilidade para a meta fiscal, o que abre espaço para um déficit primário de 1% do PIB este ano. "O baixo desempenho da economia e a pressão continuada nos gastos trazem riscos de piora para os objetivos fiscais do governo."

A ausência de um ajuste fiscal eficaz, confiável e dentro do prazo foi um dos fatores que levou a Fitch a retirar o Brasil da classificação grau de investimento em dezembro, com o rating em perspectiva negativa. 

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