FELIPE RAU/ESTADÃO
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Excesso de intervencionismo levou à recessão, diz Meirelles

Ministro da Fazenda afirmou que a saída do Brasil da recessão se deve à 'transparência nas contas públicas', e que as privatizações e concessões de infraestrutura continuarão no próximo ano

Eduardo Rodrigues, Broadcast

04 Outubro 2017 | 11h27

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 4, que a saída do Brasil da recessão se deveu à transparência nas contas públicas adotada pelo atual governo. Ele destacou que empresas e famílias já estão menos endividadas e apontou para a continuidade de privatizações e concessões de infraestrutura no próximo ano.

"A recessão dos últimos anos foi a maior da história, a mais longa e a mais profunda. O desajuste das contas públicas e perda de confiança levaram à retração do investimento", afirmou, na abertura do IV Seminário Brasileiro de Contabilidade e Custos Aplicados ao Setor Público. "O excesso de intervencionismo em setores relevantes e uso inadequado das estatais também levaram à recessão", completou.

O ministro lembrou que o alto endividamento das famílias e das empresas atrasou a retomada da economia, já que a desalavancagem desses segmentos começou apenas no fim do segundo semestre do ano passado. "Num primeiro momento, isso atrasou a recuperação, mas é uma das causas da retomada agora. Já estamos em processo de estabilização da dívida das empresas e queda das dívidas das famílias", afirmou.

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Ao voltar a citar o governo anterior, Meirelles repetiu que o Brasil estava em um contexto de inflação muito elevada e com juros também altos. Segundo ele, isso ocorria porque, diante da baixa confiança e da falta transparência das contas públicas, os formadores de preços adotaram um comportamento defensivo. "Esse processo foi revertido com transparência nas contas públicas", defendeu.

Por outro lado, o ministro lembrou que a inflação baixa - bem abaixo da meta de 4,5% em 2017 - é a principal causa da queda na arrecadação deste ano, o que levou o governo a aumentar as metas de déficit fiscal deste e do próximo ano para R$ 159 bilhões.

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Durante a apresentação, Meirelles destacou aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) pelo Congresso, que deve eliminar totalmente dos subsídios no crédito do BNDES nos próximos anos. Segundo ele, o governo está se realizando gestão de excelência na Petrobras e na Eletrobras e tem avançado na agenda de privatizações e concessões.

"Apesar de dúvidas que haviam, os leilões de energia foram um sucesso e atraíram investimentos de várias origens. Temos tido cuidado com a remuneração adequada do patrimônio público. Há muita coisa por vir em privatizações e investimentos de infraestrutura", acrescentou.

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Ele voltou a dizer que a aprovação da Reforma da Previdência é o grande desafio que o governo enfrenta agora, e enfatizou que o processo de revisão da capacidade de pagamento da e dos demais entes federativos "é um caminho sem volta". Nesse sentido, ele citou que o ajuste fiscal do Estado do Rio de Janeiro, com o aval do governo federal, é eficaz, duro, correto e irá assegurar reequilíbrio fiscal do governo fluminense.

Meirelles também repetiu que a perspectiva do governo é que o Brasil tenha ciclos de crescimento no Brasil mais longos e com menor volatilidade. Por isso precisamos qualificar as informações e discutir prioridades do Brasil em cima de dados transparentes", concluiu.

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