Alex Silva/Estadão
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Executivos do setor financeiro defendem aprovação das reformas

Para presidente do Bradesco, encaminhamento de reformas não é ‘modismo’, mas uma necessidade para pôr o País na rota da estabilidade

O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, afirmou ontem que o encaminhamento das reformas trabalhista e da Previdência não é um “modismo, mas uma necessidade” para pôr o País no caminho da estabilidade. “O diagnóstico da crise fiscal está feito. Isso envolve responsabilidade ainda maior no encaminhamento das reformas, que são necessárias”, afirmou o executivo do Bradesco, vencedor do prêmio Finanças Mais, organizado pelo Estadão/Broadcast, na categoria banco de varejo.

Segundo ele, o ano de 2017 está marcado por uma “grande volatilidade política”, mas não se pode esquecer que o governo atual é de transição. O executivo destacou, porém, que o momento tem como pano de fundo o diagnóstico e terapia da área econômica, que estão dando segurança ao País. No discurso de abertura do evento, que anunciou as “melhores e mais equilibradas” instituições financeiras do País, o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, também defendeu as reformas.

Para ele, é preciso que as autoridades, em especial o Congresso, tenham equilíbrio e responsabilidade para fazer com que essa agenda avance. “E esse avanço é fundamental para que a retomada se confirme e para que o governo ajuste as contas e mais empregos sejam criados.”

Os vencedores do prêmio Finanças Mais se mostraram otimistas em relação à retomada do País, apesar de ressaltarem a gravidade da crise política. O economista-chefe do Santander, Mauricio Molan, afirmou que o crédito deve crescer este ano, apesar da crise deflagrada com a delação da JBS. Segundo ele, a nova crise política teve impacto na demanda por crédito, mas foi moderada, assim como no sistema financeiro.

Mesma percepção foi verificada no setor de seguros, que aposta na melhoria do desempenho este ano. “2017 tem sido positivo e esperamos fechar o ano dentro da meta”, afirmou o presidente da Bradesco Seguros, Octavio de Lazari Júnior. Segundo ele, o setor apresenta desempenho positivo no ano, com exceção de algumas áreas, como a de seguro-saúde, que tem sido afetada pela elevada taxa de desemprego no País.

O presidente da Bradesco Seguros lembrou que a discussão sobre a reforma da Previdência contribui para elevar a preocupação com a aposentadoria, o que beneficia os planos complementares. O diretor-geral da Bradesco Vida e Previdência, Jorge Nasser, destacou que ainda não houve corrida no setor privado, mas o entendimento da população sobre o tema aumentou e a procura por opções privadas também.

“Vejo uma janela de oportunidade para a aprovação da reforma da Previdência ainda este ano. Não será a ideal nem a definitiva, mas a aprovação é um avanço importante”, disse Nasser. A sociedade brasileira, completou ele, passou a entender melhor a reforma e sabe que a questão precisa ser endereçada, mesmo que possa não concordar com todos os pontos propostos.

Na seguradora Tokio Marine, a expectativa é manter a expansão em torno de 26% neste ano. “Vamos encerrar 2017 com índice combinado (que mede a eficiência operacional da companhia) abaixo dos 100%, que mostra resultado industrial da operação e crescimento de dois dígitos mesmo em um cenário mais competitivo”, afirma o presidente da seguradora, José Ferrara.

Uma das apostas da empresa é o seguro popular, que permite o uso de peças usadas e genéricas. “Estamos conseguindo atrair pessoas que nunca tinham contratado seguro de automóvel”, disse o diretor da Tokio Marine, Marcelo Goldman. Das apólices de automóvel popular vendidas pela seguradora, 60% foram adquiridas por novos segurados.

Meta. Os executivos também elogiaram a extensão da meta de inflação, anunciada quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Molan, do Santander, afirmou que a medida veio dentro da mudança estrutural e da evolução “previsível” da política fiscal e monetária. Para Trabuco, do Bradesco, a decisão é uma importante sinalização para o mercado e para o crédito brasileiro no exterior. /ALINE BRONZATI, FERNANDA GUIMARAES, SILVIA ARAÚJO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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Luiz Carlos Trabuco

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Altamiro Silva Junior e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou em discurso ontem que o Brasil está menos vulnerável a choques externos e internos por ter amortecedores “robustos”. Em evento do Grupo Estado, o dirigente disse que o BC encara o momento atual de crise política com “serenidade” e ressaltou que a ampliação do prazo de validade da meta de inflação anunciada esta semana vai permitir juros menores de longo prazo.

“Hoje vivemos uma situação econômica capaz de absorver choques”, disse Ilan, destacando a melhora do balanço de pagamentos do Brasil e os US$ 375 bilhões das reservas internacionais. Além disso, o regime de câmbio flutuante garante a primeira linha de defesa do País e o BC atua ainda em outras frentes, como o programa de swap cambial. “Isso nos dá conforto para suavizar os choques que venham por aí. Não vai ter nenhum problema no funcionamento do mercado, nenhuma descontinuidade.”

Nas últimas semanas, desde a delação da JBS, o ambiente de crise política provocou aumento da incerteza na economia, observou Ilan. Como consequência, cresceram as dúvidas sobre o andamento das reformas e a implementação dos ajustes econômicos. Mesmo assim, o dirigente ressaltou que o BC encara o momento com serenidade. Ontem, Ilan afirmou que permanece no governo mesmo que haja troca de comando no Planalto.

O discurso de Ilan durou cerca de 40 minutos e o dirigente falou pela primeira vez das mudanças da meta de inflação, anunciadas anteontem. O governo reduziu o referencial para 4,25% em 2019 e 4% em 2020, além de ampliar o prazo de validade da meta para 3 anos. A experiência internacional mostra que outros mercados têm prazos longos para a meta, disse Ilan, citando Estados Unidos e Banco Central Europeu, onde não há uma data de validade.

Juros. Por isso, o Brasil também tentou ampliar o prazo de validade da meta, em vez de decidir a cada dois anos, o referencial agora vale para três anos. “Essa mudança pode parecer pequena, mas não é”, afirmou o presidente do BC, destacando que a decisão alonga o horizonte que as pessoas olham. Assim, com expectativas de inflação ancoradas em patamares mais baixos, a economia pode almejar juros de longo prazo mais baixos. “Se a meta é crível, ela faz o juro longo cair.”

A meta de inflação de 2020 foi fixada em 4% e o presidente do BC ressaltou que a mudança está sendo feita de forma “gradual, consistente e serena”. “Se fizéssemos algo diferente, elevaríamos as expectativas de inflação”, disse ele, destacando que isto é a última coisa que o BC quer. Já no caso de 2019, o novo referencial foi definido “exatamente onde as expectativas estavam”, que era de 4,25%.

Foram mudanças na política econômica nos últimos meses, durante o governo de Michel Temer, que criaram condições para a queda da inflação e permitiram a redução da meta, afirmou Ilan em seu discurso. Um dos fatores positivos mencionados foi a queda da taxa real de juros, quando se desconta a inflação. O indicador hoje está na casa dos 4,5%, o menor patamar que o País teve em décadas, apesar de ainda estar alto na comparação internacional. Nos anos 90, o juro real superou os 20%, caindo para a casa dos 10% na década seguinte.

Ilan destacou que a taxa básica de juros, a Selic, está em processo de queda, já recuou 400 pontos-base nos últimos meses e há a expectativa de reduções adicionais à frente. Sobre o cenário internacional, Ilan ressaltou que o ambiente continua sendo favorável para o Brasil. O capital segue migrando para mercados emergentes e as incertezas sobre eleições em países importantes se reduziram. “No entanto sempre tem riscos e não podemos assumir que o cenário vai ficar favorável para sempre.”

 

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01 Julho 2017 | 05h00

A economia brasileira tem condições de fechar 2017 com crescimento, a despeito do cenário político nebuloso. Mas, segundo os economistas vencedores do Prêmio Broadcast Projeções de 2016, a alta deve ser modesta: de cerca de 0,60%. Eles não descartam, porém, a possibilidade de nova queda do Produto Interno Bruto (PIB), caso a crise política se agrave a ponto de provocar uma ruptura e impeça a aprovação das reformas, em especial a da Previdência.

A expectativa dos analistas ainda é de que a reforma previdenciária seja aprovada, mesmo que de forma “desidratada”. Se não ocorrer na atual gestão, muitos seguem esperançosos de que o próximo governo será reformista e dará andamento ao projeto de ajuste das contas públicas. Os agentes confiam que a inflação de 2017 fechará abaixo do centro da meta de 4,5%, dando espaço para a queda da taxa básica de juros.

Depois da alta de 1% do PIB no primeiro trimestre, o economista-chefe do Banco do Brasil, Élcio Gomes Rocha, vencedor do Prêmio Broadcast Projeções de 2016, na categoria Top 10 Básico, considera que a volta do PIB para o campo positivo não é tão desafiadora. Após cair 3,6%, conforme dado original, cálculos de Rocha mostram que se o PIB do segundo trimestre ficar com taxa zero e depois o crescimento médio trimestral ficar em 0,30%, a economia deve subir 0,50% em 2017.

Ainda que se possa ter alguma visão de que no final haverá um resultado positivo por conta da aprovação das reformas, Maurício Molan, economista-chefe do Banco Santander, que ficou em terceiro lugar no Top 10 Geral, ressalta que o fato é que o campo continuará minado. “Há muitas incertezas relacionadas ao quadro político.” Além disso, diz Molan, temas relacionados à China e à tendência de normalização monetária nos Estados Unidos são fatores de riscos importantes.

As dúvidas em relação ao quadro político também trazem cautela ao economista Leonardo Sapienza, do Banco Votorantim, vencedor do Prêmio Broadcast Projeções de 2016 na categoria Top 10 Geral e quinto lugar no Top 10 básico. Ele estima alta de 0,50% para o PIB em 2017, mas pondera que há risco de o crescimento ser menor. “Obviamente que o viés na projeção é para baixo, diante do aumento do prêmio de risco dos CDS. O cenário vai depender do quanto mais rápido forem resolvidas essas incertezas.”

Desafio. O economista Alexandre Batista Ferreira, da Caixa Econômica Federal, que conquistou o segundo lugar nas duas categorias (Top 10 Geral e Básico), afirma que não se pode minimizar os avanços alcançados pela economia brasileira recentemente. “O País tem um considerável estoque de reservas internacionais, que o coloca como credor externo líquido, além de apresentar déficit reduzido em transações correntes e amplamente financiado pela entrada de investimentos diretos.” /MARIA REGINA SILVA, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E THAÍS BARCELLOS

“Tem muitas incertezas relacionadas ao quadro político”

Maurício Molan

ECONOMISTA-CHEFE DO SANTANDER BRASIL

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Karin Sato, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

Encontrar oportunidades em um setor que havia atingido o “fundo do poço”, ousar em apostar contra a opinião generalizada do mercado financeiro, não se deixar levar pelo momento negativo vivido por um segmento e manter a aposta em determinada empresa tida como bem gerida. Essas atitudes garantiram elevadas rentabilidades aos analistas vencedores da 19.ª edição do Prêmio Broadcast Analistas.

Num mercado predominantemente masculino, neste ano, entre as três primeiras colocações, duas foram conquistadas por mulheres, algo que aconteceu pela última vez em 2006.

Maria Paula Cantusio, do BB Investimentos, liderou o ranking, com rentabilidade de 86,57%. Na cobertura do setor de varejo, a analista lembra que o ano de 2016 como um todo pode ser chamado de “fundo do poço”, com vendas em queda em todas as datas comemorativas. Uma das principais apostas da analista acabou sendo Magazine Luiza, cuja recomendação foi de compra até março, tendo mudado para manutenção naquele mês e assim permanecendo até o fim do ano. A varejista, ao longo de 2016, aumentou sua presença em vendas online e se destacou no setor.

O gerente de pesquisas do BB Investimentos, Wesley Bernabé, acredita que a perspectiva do time de análise é de que a reforma previdenciária seja aprovada até o fim do ano. Para a reforma trabalhista, a expectativa é ainda mais positiva. Para a equipe de análise do BB Investimentos é de incertezas no âmbito político no curto prazo, porém otimismo no longo prazo, com tendência para juros favoráveis a setores cíclicos, expostos à economia doméstica.

O segundo colocado, Paschoal Paione, obteve sucesso com recomendações de compra para Vale e Bradespar, acionista da mineradora, ao longo de 2016. No momento em que muitos do mercado estavam pessimistas com esses papéis, no início do ano passado, quando o preço do minério de ferro atingiu recorde mínimo, o analista resolveu apostar nesses nomes. A terceira colocação ficou com Gabriela Cortez, do BB Investimentos, com indicações bem-sucedidas em setores como o de papel e celulose.

Para Teresa Navarro, editora-chefe do Broadcast, em um ano marcado por uma forte crise econômica, que atingiu também o mercado de ações, o segredo foi procurar boas oportunidades. “O mérito dos analistas vencedores foi o talento e a competência para garimpar ações que teriam potencial de sofrer menos com a turbulência e recomendar os melhores investimentos.”

Corretoras. Por sua vez, o Prêmio Broadcast Corretoras foi para uma instituição com mais de 20 anos de história, a Planner. A equipe formada por quatro analistas obteve 49% de rentabilidade em 2016, ante média das corretoras participantes de 33,4%. O analista-chefe Mario Roberto Mariante ressalta que a Planner não tem como prática repetir suas carteiras mensais. “Estamos sempre de olho em oportunidades pontuais, mas tentamos manter esse perfil de empresas bem capitalizadas e administradas.”

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