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Expectativa desfavorável da indústria da construção

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2014 | 02h 05

As empresas de grande porte que atuam na construção civil estão produzindo menos e têm expectativas piores do que as médias e pequenas companhias do setor, segundo a Sondagem Indústria da Construção de agosto, com dados relativos a julho. Persiste a tendência desfavorável num segmento que contrata muita mão de obra e responde por cerca de 40% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no País.

Não se trata de uma situação nova, mas do agravamento de um quadro constatado desde meados de 2013 pelas grandes empresas, segundo os levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). No mês passado, o nível de atividade dessas empresas registrou 43,7 pontos, inferior aos índices de junho (44,7 pontos) e de julho de 2013 (46,6 pontos) e à linha dos 50 pontos, abaixo da qual a tendência é negativa.

Entre junho e julho, a variação do nível de atividade foi menos desfavorável nas pequenas e médias empresas, mas houve, para os diversos portes, queda do nível de atividade em relação ao usual e do número de empregados contratados.

O ponto mais preocupante da sondagem - realizada com 572 empresas entre os dias 1.º e 12 deste mês - diz respeito às expectativas, negativas no tocante a novos empreendimentos e serviços, compras de insumos e matérias-primas e número de empregados. As grandes empresas parecem descrentes até da eficácia dos programas de investimentos em infraestrutura.

A deterioração da atividade e das expectativas parece explicar as medidas de longo prazo para a construção, anunciadas na quarta-feira. Uma delas é a permissão para que um pequeno porcentual dos depósitos de poupança (3%) possa ser aplicado em novos financiamentos imobiliários garantidos por imóveis já quitados e com escritura definitiva, em operações designadas home equity. Outra é a concentração de ônus nas matrículas dos imóveis, para reduzir o tempo despendido com a burocracia nas operações de crédito imobiliário. Uma terceira é a criação da Letra Imobiliária Garantida, instrumento por meio do qual os bancos poderão captar recursos para financiar operações imobiliárias.

As medidas podem não ter impacto imediato, mas são positivas no plano nas expectativas. E estas são importantes porque, na esfera privada, não é de recursos que a construção depende, mas da disposição de investir e da confiança no futuro.

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