Facebook vai 'acelerar' startups

Para expandir rede de desenvolvedores de tecnologia voltadas para marketing, companhia apresenta projeto inédito na América Latina

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2014 | 02h04

O Facebook vive de publicidade. Dos US$ 2,9 bilhões que a rede social faturou apenas no segundo trimestre deste ano, US$ 2,68 bilhões vieram de anúncios ou outras ferramentas de marketing. Para fazer esses números crescerem, a empresa tem, cada vez mais, buscado formar uma rede de parceiros que ajude companhias - de pequenas a grandes - a conversar melhor com seus consumidores dentro da plataforma. Uma prova desse esforço será apresentada nesta semana no Brasil.

A rede social está lançando, pela primeira vez na América Latina, um programa de aceleração de startups que trabalham com tecnologias voltadas para marketing. O objetivo é engrossar o seleto grupo das chamados "desenvolvedores preferidos de marketing" (ou PMD, na sigla em inglês), que tem cerca de 200 empresas de 45 países.

Nove empresas, selecionadas entre 20, vão participar, na quinta e na sexta-feira, de uma maratona hacker. Será um momento para mergulhar em códigos e discutir aplicações. Dali sairão as mais inovadoras - que podem ser nove ou menos. Os negócios das startups se encaixam em gerenciamento de páginas de marcas e anúncios, aplicativos ou análise de dados.

Hoje, há sete brasileiras no time das já PMDs. Mas elas não passaram por nenhum tipo de aceleração. Tiveram de mostrar seu potencial na marra. Gustavo Cury, fundador da Superare, passou três meses inteiros se preparando para a candidatura do processo normal. "São muitas regras e é preciso estar em conformidade com todas elas", conta (leia no box ao lado).

O caminho percorrido por Cury deverá ser diferente para as empresas que participarem da aceleração. Nesse período, que deve durar no mínimo três meses, a rede social promete passar diversas orientações - desde o modelo de negócios até a parte tecnológica. A assistência ocorrerá na sede ou remotamente, no caso das startups localizadas em outra cidade.

A Bionico, especializada em anúncios para a rede social, é uma das nove selecionadas. Criada em maio de 2013 em Florianópolis, a empresa tem uma ferramenta capaz de entregar e gerenciar milhares de anúncios ao mesmo tempo na plataforma. Ela produz também relatórios customizados com a performance das campanhas.

Essa é uma empresa, dentre várias startups, que faz na rede social o que o próprio Facebook não faz. "Por ser uma empresa global, a gente não tem condições de ter esse alcance granular no mercado", diz Renato Goulart, responsável pela área de PMD na América Latina. Desde o início do ano, a equipe do executivo participa de eventos de tecnologia para apresentar o programa das "preferidas".

Parceria. Cercar-se de parceiros que aproveitam suas plataformas para desenvolver negócios inovadores é uma prática comum na indústria de tecnologia. Empresas como Microsoft, IBM e Google também têm programas para estimular essa aproximação. Recentemente, o Bradesco também anunciou uma seleção de startups que têm potencial para atuar no setor financeiro.

No caso do Facebook, desenvolvedores dedicados a atender o segmento empresarial são particularmente interessantes porque o foco da rede social não é o B2B (business-to-business), e sim o consumidor final.

Além disso, essas startups atendem uma demanda que não para de crescer nas empresas: interpretar volumes enormes de dados para entregar aos clientes com mensagens personalizadas. "Pôr anúncio na TV e simplesmente acompanhar a audiência, isso não existe mais", diz Pedro Waengertner, coordenador do núcleo de marketing digital da ESPM.

Para criar esse ecossistema de jovens empresas inovadoras ao seu redor, o que as companhias fazem é abrir um canal em suas plataformas para permitir a comunicação com as tecnologias das startups. Essa abertura, em algumas situações, pode render mais que uma simples parceria. É o caso do Tweetdeck, aplicação criada em 2008 para gerenciamento de tweets fora do Twitter. Fez tanto sucesso que acabou sendo comprada pelo Twitter em 2011, por um valor estimado em US$ 40 milhões.

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