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Falta de confiança reduz as captações

As más perspectivas quanto à evolução da economia, o alto custo do dinheiro e a escassez de novos projetos, aliados ao elevado nível de endividamento das empresas, são fatores que vêm deprimindo as captações com títulos de dívida feitas pelo setor privado, que chegaram em janeiro deste ano a um de seus pontos mais baixos. No mês, as captações desse tipo somaram R$ 2,8 bilhões, um recuo de 80,9% em relação ao mesmo mês de 2015, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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17 Fevereiro 2016 | 02h55

A comparação pode ter sido distorcida pelo fato de que, em janeiro de 2015, houve um volume excepcional de emissão de debêntures de leasing no valor de R$ 10 bilhões. Mas, mesmo em relação à média de captações com títulos de dívida de R$ 5,6 bilhões verificada no primeiro mês do ano de 2011 a 2015, a queda foi expressiva, de 50%.

Nota-se que o recurso ao mercado internacional se tornou proibitivo com a rápida desvalorização do real e nenhuma captação em dólares foi feita desde junho do ano passado. Pouco depois, em outubro, cessaram as ofertas de novas ações.

Restaram as captações com títulos da dívida no mercado interno, cujo declínio é tanto mais preocupante considerando que, do total emitido em debêntures (R$ 2,49 milhões), 67,9% foram utilizados para a recompra ou resgate de operações anteriores. Só 32,1% representaram dinheiro novo e se destinaram a reforçar a necessidade de capital de giro das emissoras.

Além disso, o prazo mais longo, que é uma das vantagens das debêntures, está encurtando. Confirmando o clima ruim do mercado, o prazo médio das emissões de debêntures em janeiro foi de 2,7 anos, bem abaixo da média de 2015, de 4,4 anos e tida como muito baixa.

As demais emissões de títulos de dívida foram inexpressivas: uma foi feita por promissória (R$ 210 milhões), uma operação com Certificado de Recebíveis Imobiliários (R$ 110,5 milhões) e quatro em Fundos de Investimento com Direitos Creditórios (FIDCs), somando R$ 24 milhões.

O quadro pode ser menos adverso nos próximos meses, pois, como observou a Anbima, há lançamentos de títulos de dívida de valores mais significativos em análise na entidade e na Comissão de Valores Mobiliários. Seja como for, o que os dados deixam claro é uma aguda falta de confiança por parte das empresas, que relutam em investir.

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