Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Falta de quórum cancela reunião do FI-FGTS que anunciaria retorno recorde em 2016

'Estadão/Broadcast' antecipou que o fundo, que investe em projetos de infraestrutura, registrara rentabilidade recorde de 8,3% no ano

Fernando Nakagawa e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 12h43

BRASÍLIA - A reunião do Comitê de Investimentos do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) marcada para esta quarta-feira na sede da Caixa Econômica Federal foi cancelada. Segundo a assessoria de imprensa, a falta de quórum impediu a realização do encontro do grupo que administra parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e investe o dinheiro do trabalhador em projetos de infraestrutura.

Ontem, o Estadão/Broadcast antecipou que o FI-FGTS registrou rentabilidade recorde de 8,3% em 2016, segundo balanço que seria apresentado nesta quarta. Trata-se do maior retorno do FI-FGTS, criado em 2007, no começo do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, para propiciar aos trabalhadores com carteira assinada – cotistas do fundo – rentabilidade superior aos 3% ao ano mais TR que remunera as aplicações do FGTS.

O FI-FGTS registrou lucro de R$ 2,627 bilhões em 2016, impactado em grande parte pela valorização das ações do Banco do Brasil dadas como garantia pelo Fundo de Garantia da Construção Naval (FGCN) pelos prejuízos provocados ao fundo pelos prejuízos do fundo decorrentes da operação com a Sete Brasil, empresa envolvida na Operação Lava Jato.

Em 2015, por conta de um provisionamento de R$ 1,8 bilhão para cobrir os prejuízos do colapso da Sete Brasil, empresa criada para construir e administrar as sondas do pré-sal, o fundo registrou prejuízo de R$ 966,7 milhões, e a menor rentabilidade da história, negativa em 3%. 

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Pelas regras do fundo, a rentabilidade de referência é de 6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). Não há punição por não alcançar essa marca. No entanto, se o retorno for menor do que o depositado nas contas vinculadas ao FGTS (3% ao ano mais TR), o fundo teria de completar a diferença.

O investimento malsucedido na Sete Brasil não foi o único em empresas também envolvidas na Lava Jato. Segundo uma das ressalvas da auditoria independente KPMG, dos R$ 24 bilhões investidos pelo fundo em ações ou financiamentos a empresas, R$ 4,8 bilhões foram direcionados a grupos econômicos que estão sendo investigados pela Justiça Federal e pelo Ministério Público Federal por práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. “Não nos foi possível determinar o estágio atual e os possíveis efeitos dos desdobramentos destas investigações sobre as demonstrações financeiras do FI-FGTS”, diz a ressalva dos auditores independentes.

No fim de 2016, o fundo tinha R$ 5,5 bilhões investidos em empresas sem ações na Bolsa, sendo que R$ 1,3 bilhão na Odebrecht Transport e R$ 1,1 bilhão na Odebrecht Ambiental Saneamento.

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