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Fartura de dólares

Se há tanto dinheiro sobrando no mundo, por que tão pouco dele é canalizado para os países emergentes?

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Celso Ming

16 Fevereiro 2016 | 21h00

Há dinheiro saindo pelo ladrão no mercado internacional. Só o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) despejou US$ 3,5 trilhões no mercado global. Há oito anos, os grandes bancos centrais vêm trabalhando a juros muito próximos do zero. E, agora, toma corpo o que antes apenas excepcionalmente chegou a acontecer: os grandes bancos centrais ou já começaram a operar com juros negativos ou vêm estudando a partir para essa.

Juro zero ou juro negativo (abaixo de zero) é a situação em que o dinheiro está tão abundante que o preço pago por ele (no crédito, por exemplo) fica insignificante. No caso dos juros negativos, em vez de ganhar dinheiro com aplicações financeiras, o investidor tem de pagar para que o banco aceite ficar com o dinheiro dele. Quando um banco central opera a juros negativos, os bancos também têm de pagar para deixar suas reservas no banco central. O objetivo é levá-los a emprestar.

Nessa paisagem de dinheiro sobrando por falta de interessados em tomá-lo por empréstimo, fica a pergunta a respeito do que fazer com ele. Os países avançados estão em recessão e, nessas condições, não têm forte demanda para o crédito. É por isso, também, que tanto dinheiro vai sobrando.

A pergunta que está ao alcance das boas cabeças é por que os bancos ou os países hoje encharcados de dinheiro não canalizam boa parte desses recursos para os países emergentes ou até mesmo para os países pobres, que têm tanta necessidade de financiamentos.

Do ponto de vista dos bancos, por exemplo, trata-se de garantir um bom retorno por um dinheiro que já não rende nada ou até mesmo tem um custo quando depositado no banco central.

Todas as análises sobre o mau desempenho da economia dos países ricos apontam como um dos fatores explicativos a má situação econômica dos emergentes. São economias que passaram a ser obrigadas a cortar encomendas aos países avançados que, por sua vez, enfrentam redução de exportações. Se com maior aporte de capitais, as economias emergentes fossem acionadas, seria inevitável que as economias maduras também fossem beneficiadas, porque aumentariam suas exportações.

O problema é que, nas atuais condições, os emergentes também não estão em condições de enfrentar novos endividamentos. Já apresentam dívidas enormes que, na maioria dos casos, correm o risco de sair do controle, como acontece aqui no Brasil.

Em outros casos, o problema é de falta de consistência nos projetos de desenvolvimento ou, até, de falta de regras consistentes de jogo nas concessões de obras públicas. Quem, por exemplo, seria o maluco que se disporia a investir dinheiro em infraestrutura na Venezuela?

No caso do Brasil, o capital estrangeiro ainda vem acreditando. A entrada líquida de Investimentos foi de US$ 75 bilhões em 2015 e pode ficar por aí também em 2016. Em parte, isso acontece pelo que ficou dito acima: diante da abundância de recursos, o investidor acaba optando por aumentar suas opções de risco e, nessas condições, algum dinheiro acaba aportando no Brasil. Por aí se vê quanto o Brasil poderia tirar proveito dessa abundância de recursos se tivesse um mínimo de consistência em sua política econômica e regras estáveis de jogo para investimentos em infraestrutura.

CONFIRA

Aí está a evolução das vendas no varejo. Dezembro é mês tradicionalmente de vendas ao varejo. A queda de 2,7% em relação a novembro pode causar perplexidade: como em novembro as vendas podem ser mais altas? É que os números já vêm descontados do seu desvio sazonal. Portanto, o efeito vendas de Natal já vem compensado. Mas há a novidade, a black friday (27 de novembro), que antecipou vendas que antes só aconteciam em dezembro. Trata-se de um evento novo que tem evidentemente sua dimensão sazonal já levada em conta pelo IBGE, mas inteiramente captada pelos modelos dos bancos e das consultorias.

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