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Fator governabilidade

Com o programa de política econômica proposto pelo PT é praticamente impossível garantir a governabilidade da presidente Dilma, se ela ainda pudesse recuperar o que já não tem hoje

Celso Ming

O presidente do PT, Rui Falcão, insistiu nesta segunda-feira em que a única maneira de garantir a governabilidade no País é com a permanência da presidente Dilma à frente do governo.

Esta é uma contradição do PT que, até agora, vinha proclamando que o programa econômico da presidente Dilma, comandado tanto por Joaquim Levy como por Nelson Barbosa, é inaceitável, o que exigiria a mudança radical da política.

Dilma. Qual a política econômica?
Dilma. Qual a política econômica?

Para o PT, programas baseados no ajuste fiscal, na recuperação da confiança e na reforma da Previdência não servem. Em seu lugar, define o último documento do PT sobre o assunto, é preciso adotar as recomendações de 22 pontos encaminhados ao Diretório Nacional. Entre esses pontos estão a forte derrubada dos juros, sem levar em conta a meta de inflação; a utilização de reservas externas para finalidades fiscais; e a expansão do crédito para consumo. São algumas das receitas que produziram o desastre da política econômica de agora, cujo resultado é a derrubada em 10% da renda per capita no biênio 2015-16; a disparada do desemprego; o desmanche da indústria; e a hemorragia do caixa da Petrobrás e do setor elétrico.

Lá estão também 10 propostas para aumento de impostos ou para fim de isenções tributárias. Nenhuma tem por objetivo recuperar a indústria, a Petrobrás e o programa do etanol. A única reforma que propõe é a que já não tem mais sentido, diante da pujança do agronegócio: a reforma agrária.

Com esse programa, é praticamente impossível garantir a governabilidade da presidente Dilma, se ela ainda pudesse recuperar o que já não tem hoje.

Em nenhum momento a direção do PT pegou o mote do novo Lulinha paz e amor. Em nenhum momento sugeriu a formação de um amplo acordo nacional que se baseasse num programa de recuperação dos fundamentos da economia, como o que caracterizou os dois primeiros anos da administração Lula, quando prevaleceram os princípios enunciados na Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002. São eles - como dizem - os golpistas, contra nós, os guardiões da lei, como se essa classificação dissesse alguma coisa.

Apesar disso, não está descartada a hipótese de que a presidente Dilma continue à frente do governo até o fim de 2018. No entanto, depois de tudo o que aconteceu e do que está para acontecer, parece muito difícil apostar na recuperação da confiança, dos investimentos, da atividade econômica e do emprego, se o atual arranjo político continuar prevalecendo.

Os empresários já não acreditam mais e estão engajados no processo de afastamento da presidente Dilma. A classe média, principal formadora de opinião, aderiu ao impeachment. E os sindicatos parecem incapacitados de segurar o governo porque, nessa baita recessão e diante de tanta mercadoria encalhada, a eventual convocação de uma greve geral faria mais o jogo dos patrões do que o dos empregados.

Enfim, se tudo continuar mais ou menos como está, o risco é o de que a recessão se aprofunde, a inflação continue acima da meta, o desemprego aumente e se percam os avanços de distribuição de renda e de resgate da população de baixa renda.

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Mais recessão, menos inflação

Pela nona vez consecutiva, houve revisão para baixo da projeção para o PIB de 2016 (tombo de 3,6%). A inflação, mesmo em desaceleração, deve terminar o ano bem acima da meta de 6,5% de acordo com a Pesquisa Focus.

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