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Fatores que explicam a retração do PIB continuam presentes

Incertezas sobre a força do governo para implementar a agenda econômica necessária tem resultado em paralisia dos agentes econômicos

Alessandra Ribeiro*

A retração de 3,8% da economia brasileira em 2015 tem sua origem em 2012, quando o governo implementou a equivocada Nova Matriz Econômica. Uma política econômica que se pautou por incentivar o crescimento econômico através de políticas fiscal e monetária expansionistas e intervenção setorial, gerando desequilíbrios como inflação alta, piora dramática das contas públicas, aumento expressivo do déficit em conta corrente, além da má alocação dos recursos disponíveis e desestruturação de alguns setores da economia.

Em 2015, sob o comando do Ministro Joaquim Levy, governo e Banco Central tentaram corrigir os desequilíbrios através da recomposição de impostos e controle de alguns gastos, de correção de preços regulados - cujo caso mais dramático foi o de energia elétrica - e da alta de juros para controlar a inflação. Esses ajustes, por si só, já teriam um forte impacto sobre a atividade econômica. No entanto, alguns fatos, como a crise política e a Lava Jato, potencializaram o efeito do ajuste econômico. 

As incertezas não só sobre a força do governo para implementar a agenda econômica necessária, mas, principalmente, sobre a permanência da presidente têm resultado em paralisia dos agentes econômicos. Consumidores e empresários, ao não terem ideia sobre o futuro, preferem limitar consumo e investimento. A Lava Jato, por sua vez, tem levado empresas envolvidas, com destaque para as empreiteiras, a reverem sua forma de atuação e, consequentemente, suas decisões de investimentos. Pelos cálculos da Tendências, os efeitos da Lava Jato explicam cerca de 2 pontos porcentuais da variação do PIB em 2015.

Para este ano, o cenário é pouco animador, já que grande parte dos elementos que explicam a forte retração do PIB ainda continua presente. A Tendências projeta queda de 4% para o PIB em 2016. Pelo efeito estatístico, uma retração de 2,5% já está contratada. O problema é que os fundamentos continuam apontando para deterioração adicional, com a presença de alguns ajustes e, principalmente, das incertezas.

*Alessandra Ribeiro é economista e sócia da Tendências Consultoria

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