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Ed Ferreira|Estadão

Fazenda diz que economia pode voltar a crescer no 4º trimestre

Equipe econômica garante que conseguirá normalizar o quadro até setembro para retomar crescimento

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Adriana Fernandes, Lorenna Rodrigues, Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

03 Março 2016 | 22h39

BRASÍLIA - A coincidência da notícia da delação premiada do senador Delcídio Amaral com a divulgação da queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) abalou o governo e aumentou a percepção de que será mais difícil conseguir melhorar a confiança na economia brasileira. Mas a equipe econômica segue com a avaliação de que conseguirá normalizar o quadro econômico a partir de terceiro trimestre e crescer a partir do último.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, chegou bem cedo ao Ministério para preparar, com a equipe, o teor da nota com comentários sobre o resultado do PIB. Sob o impacto das notícias sobre a delação do senador, a nota, no entanto, só foi divulgada no meio da tarde desta quinta-feira, 3.

A orientação do ministro foi mostrar que, apesar da crise política, a equipe segue trabalhando para elaborar os projetos de reformas, com os quais o governo espera melhorar as expectativas. “O fator político é incontrolável. E não tem outra alternativa além de mostrar trabalho”, disse um interlocutor da Fazenda, reconhecendo, no entanto, que o agravamento da crise política atrapalha a agenda econômica.

A nota do ministério atribui a retração a vários fatores, como a queda dos preços das commodities, crise hídrica no início do ano, desinvestimentos da cadeia de petróleo, gás e construção civil, realinhamento de preços relativos na economia e ajuste macroeconômico “necessário”.

“Vários desses fatores não devem se repetir na mesma intensidade em 2016, de forma que, após ter absorvido plenamente seus efeitos, a economia poderá se estabilizar no terceiro trimestre e apresentar crescimento positivo a partir do quarto trimestre deste ano”, afirma.

A Fazenda ressalta que alguns dos choques, como o realinhamento de preços relativos, têm resultados positivos para a economia ao longo do ano e contribuem para o reequilíbrio do setor externo. “O ano de 2015 foi o primeiro desde 2006 em que o setor externo contribuiu de forma positiva para o crescimento”, completa a nota.

Para o ministério, o grande desafio é recuperar a demanda interna, o que estaria sendo buscado com a atuação do governo em várias frentes. “O governo tem adotado todas as ações necessárias para recuperar a economia. No momento em que as medidas produzirem efeitos, será possível retomar o crescimento econômico, com geração de renda e emprego em bases mais sustentáveis”. A nota reitera que, até o fim do mês, o governo encaminhará ao Congresso proposta de reforma fiscal de longo prazo, com limites para a expansão das despesas, e, até abril, a proposta de reforma da Previdência.

Também em nota, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avaliou que as Contas Nacionais confirmaram “expressiva contração da atividade econômica”, reflexo, entre outros fatores, das incertezas prevalecentes nas economias doméstica e internacional. Os cenários internos e externos foram o principal argumento para o BC manter esta semana a taxa básica de juros em 14,25% ao ano pela quinta vez consecutiva.

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