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Fazenda e BC registram menores notas em oito meses de Termômetro Broad

Agência Estado

03 Setembro 2014 | 11h 14

Sentimento dos agentes de mercado em relação à equipe econômica do governo continua em tendência de piora

As notas de avaliação do mercado financeiro para a gestão do Ministério da Fazenda e do Banco Central renovaram, em agosto, os pisos da série do Termômetro Broad.

A sondagem, feita pela Agência Estado com objetivo de captar o sentimento dos agentes de mercado em relação à equipe econômica do governo, mostra continuidade da tendência de piora registrada nos meses anteriores.

A média geral da Fazenda recuou de 2,9 em julho para 2,3 em agosto. Enquanto a média geral do Banco Central, no mesmo período, caiu de 5,1 para 4,8.

Neste levantamento, 50 instituições responderam ao questionário, entre os dias 22 e 29 de agosto.

Na piora da percepção em relação ao Ministério da Fazenda pesaram tanto a avaliação da Política Fiscal quanto da Comunicação. A nota para a Política Fiscal, que em julho estava 2,4, foi para 2,0 em agosto. Já a classificação para a Comunicação caiu de 2,9 para 2,2.

Influência do PIB. O prazo final para a resposta do questionário coincidiu com a data da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e dos dados do setor público consolidado de julho.

O IBGE informou que o PIB entre abril e junho recuou 0,6% ante os três meses anteriores, e revisou, para queda de 0,2%, o resultado positivo 0,2% do primeiro trimestre. Com isso, o País registrou recessão técnica no primeiro semestre. Ao comentar os números, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou que "recessão é parada prolongada da economia como ocorreu na Europa". Ele atribuiu a queda da atividade no segundo trimestre ao ambiente internacional e a problemas pontuais internos, como os efeitos da estiagem e o menor número de dias úteis em razão da realização da Copa do Mundo.

Com relação aos resultados fiscais, as contas continuaram se deteriorando em julho, com déficit do setor público consolidado (Governo Central, governos regionais e estatais federais, com exceção da Petrobrás e Eletrobras) de R$ 4,715 bilhões. É o pior resultado da série histórica para o mês e o terceiro saldo negativo consecutivo.

As contas do setor público acumulam em 2014 até julho um superávit primário de R$ 24,665 bilhões, o equivalente a 0,84% do PIB - o pior para o período desde 2002. Em 12 meses, as contas têm saldo positivo de R$ 61,526 bilhões, ou 1,22% do PIB. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, admitiu que será mais difícil atingir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB este ano.

Ao longo do mês passado, a Fazenda adotou medidas na área fiscal para tentar fortalecer a economia. Entre elas, o lançamento das Letras Imobiliárias Garantidas. Também autorizou proprietários de imóveis a darem o bem como garantia em outros financiamentos imobiliários, na tentativa de impulsionar o crédito neste segmento. Outra medida foi lançada para estimular o aumento de operações de crédito consignado de trabalhadores que são do setor privado.

No campo das desonerações, a Fazenda ainda prorrogou o benefício fiscal para o Programa de Inclusão Digital, até 31 de dezembro de 2018, que acabaria em 31 de dezembro deste ano. O custo estimado é de R$ 7,9 bilhões em 2015.

Banco Central. Na média geral do Banco Central, que recuou de 5,1 para 4,8 entre julho e agosto, pesou principalmente a deterioração da nota para a Política Monetária, que foi de 5,2 para 4,6. Já a nota da Política Cambial caiu menos, de 4,8 para 4,4. Na direção contrária, a nota da Comunicação mostrou ligeira melhora, ao passar de 4,7 para 4,8.

No mês de agosto, a autoridade monetária anunciou medidas complementares às divulgadas em julho que liberariam até R$ 45 bilhões para o sistema financeiro, completando a reversão das medidas macroprudenciais de 2010 que restringiram o crédito. No último dia 20, o BC anunciou medidas para injetar mais R$ 25 bilhões, sendo que R$ 10 bilhões são via alteração nas regras de recolhimento de depósitos compulsórios.

Na política cambial, o BC anunciou que o primeiro leilão de rolagem de swaps cambiais que venceriam em setembro (US$ 10,070 bilhões ou 201.400 contratos) seria de 8 mil contratos. E, na avaliação do mercado, essa oferta tenderia a se repetir ao longo do mês. Porém, no dia 8, após uma escalada que levou o dólar à vista a tocar a marca de R$ 2,30 no intraday, o BC elevou a oferta diária para 10 mil contratos. Ao final do mês isso resultou num enxugamento menor do que previsto inicialmente, de US$ 1,070 bilhão.

Entenda. O Termômetro Broad é produzido mensalmente pelos profissionais do AE Dados junto a bancos, corretoras, consultorias, gestoras de recursos, instituições de ensino, departamentos econômicos de empresas e outros com histórico de realização periódica de projeções de indicadores econômicos.

A divulgação dos resultados é feita nos serviços em tempo real do Broadcast na quarta-feira mais próxima do dia 5 de cada mês. Em caso de feriado, a divulgação ocorre no primeiro dia útil subsequente.

São publicados apenas os resultados consolidados da pesquisa. As respostas individuais das instituições ficam em sigilo. A redação da Agência Estado não tem acesso às respostas individuais. O questionário, enviado por e-mail, deve ser respondido uma única vez por instituição, na última semana de cada mês.