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Fed vê mercado de trabalho melhor, mas não decide prazo para elevação do juro

Agência Estado

20 Agosto 2014 | 15h 20

Dirigentes do BC dos EUA ainda não decidiram se devem começar a elevar as taxas de juros de curto prazo antes do esperado pelo mercado, mostra ata do Fed

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) discutiram, na reunião de julho, se devem começar a elevar as taxas de juros de curto prazo antes do que o mercado espera, à luz da melhora das condições do mercado de mão de obra e do fato de a inflação estar subindo. Eles decidiram, porém, que precisam ver mais evidências antes de concluir que essa é a abordagem correta.

A ata da reunião de 29 e 30 de julho apresenta novas evidências sobre a intensificação do debate entre os dirigentes do Fed sobre quando reagir à queda surpreendente da taxa de desemprego e da alta dos preços ao consumidor. A maioria dos participantes concordou que está vendo progressos a partir de um cenário de desemprego alto e inflação muito baixa. Alguns acreditavam que essa evolução justificaria a adoção de condições um pouco mais apertadas de crédito, mas a maioria não ficou convencida.

"Muitos participantes notaram que se a convergência na direção das metas do Fed acontecesse mais rapidamente do que se espera, poderia se tornar apropriado começar a remover a acomodação da política monetária mais cedo do que eles atualmente antecipavam", diz a ata. O texto acrescenta que "a maioria dos participantes indicou que qualquer mudança em suas expectativas para o momento apropriado para a primeira elevação na taxa dos Fed Funds dependeria de mais informações sobre as trajetórias da atividade econômica, do mercado de mão de obra e da inflação".

Entre as preocupações dos dirigentes do Fed estão o fato de a economia ter se contraído no primeiro trimestre, o que, embora temporário, trouxe incertezas quanto à perspectiva, assim como as turbulências geopolíticas no Oriente Médio e na Ucrânia a debilidade persistente no setor de imóveis residenciais e o crescimento lento da renda familiar.

A ata divulgada nesta quarta-feira, 20, parece refletir uma posição levemente mais agressiva do que aquela mostrada pela presidente do Fed, Janet Yellen, em seu depoimento no Congresso, em julho. Naquela ocasião, ela equilibrou o discurso sobre a possibilidade de elevação antecipada das taxas de juro no caso de os indicadores de desemprego e inflação melhorarem rapidamente com a hipótese de um adiamento, no caso de o desempenho da economia ficar abaixo da expectativa. Na ata, porém, o foco da discussão parecia ser a possibilidade de antecipação do aperto monetário, e não de adiamentos.

"Alguns participantes viram o progresso real e esperado na direção das metas do Fed como suficiente para propor um movimento relativamente rápido na direção da redução da acomodação da política, para evitar ultrapassar as metas de desemprego e inflação no médio prazo", diz a ata. O texto também diz que a sinalização sobre "um tempo considerável" depois do fim do programa de compras de bônus até que as taxas de juro comecem a ser elevadas "sugeria uma elevação inicial mais tardia da taxa dos Fed Funds, assim como níveis para a taxa dos Fed Funds no futuro mais baixos do que eles julgavam que provavelmente seria apropriado".

Os participantes da reunião de julho também evoluíram no debate dos detalhes de como começar a elevar as taxas de juro. Segundo a ata, eles concordaram em usar duas ferramentas: o juro que o Fed paga aos bancos sobre as reservas que eles mantêm na instituição e o juro que pagam a outros, como os fundos mútuos do mercado monetário, de modo a manter os juros de curto prazo em uma faixa que deverá subir gradualmente. Fonte: Dow Jones Newswires.