Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Projeções para a economia têm piora acelerada após S&P rebaixar nota

Cresce o número de instituições que projetam queda até superior a 3% para este ano e retração também para o ano que vem; números da FGV divulgados nesta segunda-feira, por exemplo, apontam para recuo de 3% na economia em 2015 e de 2,1% em 2016

Vinicius Neder, Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

14 Setembro 2015 | 16h29

Atualizado às 22h40

A recente ampliação da lista de notícias negativas na economia, principalmente a perda do “grau de investimento” da nota do Brasil na agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P), na semana passada, levou analistas e economistas a revisarem para baixo suas projeções para a economia brasileira para este e o próximo ano.

Em seminário nesta segunda-feira no Rio, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) anunciou que agora prevê uma retração do PIB de 3% para este ano e outra queda de 2,1% para 2016. A projeção anterior apontava queda de 2,6%, sendo que, na edição anterior do Seminário de Análise Conjuntural, organizado trimestralmente pela FGV, a expectativa era que a economia encolheria 1,8% este ano.

Já a média das projeções de analistas de mercado para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) passou, em uma semana, de retração de 2,44% para recuo de 2,55%, segundo o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central (BC) a partir das estimativas de bancos, corretoras e consultorias. 

Segundo Sílvia Matos, pesquisadora do Ibre/FGV, no início do ano, esperava-se uma melhoria da atividade econômica neste segundo semestre, mas isso não ocorreu. Os economistas do instituto agora preveem que a economia encolherá 3,7% e 4,2% no terceiro e no quarto trimestre, respectivamente, na comparação com iguais períodos de 2014. 

“Os dados que estão sendo divulgados do terceiro trimestre, como aqueles que mostram que a indústria de transformação está pior do que a gente imaginava, os estoques em patamares elevados e as sondagens de indicadores de confiança, levam a uma revisão não só do terceiro trimestre, mas do quarto trimestre. Isso tem impacto em 2016 por si só”, afirmou Sílvia.

A pesquisadora explicou que a atividade econômica em retração também no segundo semestre puxa a economia para baixo em 2016 - é o que economistas chamam de “carregamento estatístico”, ou seja, mesmo que a economia melhore no início do ano que vem, ela virá de patamares baixos e, na média do ano, seguirá em baixa. 

Na Tendências Consultoria, o economista Silvio Campos Neto disse que as expectativas recém-revistas agora apontam recuo do PIB de 2,8% para este ano e de 1% para 2016. Antes, a estimativa era de uma queda de 2,3% em 2015 e de alta de 0,1% para o ano que vem. Segundo ele, a decisão da S&P ajudou nas reavaliações, mas o que pesa mesmo é “o conjunto da obra”. 

Mesmo antes da decisão da S&P, a MCM Consultores, no dia 2, já havia revisto fortemente para baixo suas projeções para o PIB. Antes, a previsão era de queda de 2,4%, mas passou para recuo de 3,1%. Para 2016, o número foi de -0,4% para -1,3%.

Inflação. O Focus apontou ainda uma piora nas projeções para o IPCA, principal índice de inflação do País, usado nas metas perseguidas pelo BC. A média das projeções ficou estável para este ano, passando de 9,29% para 9,28%, mas subiu para 2016, de 5,58% para 5,64%. 

Para o Ibre/FGV, o IPCA ficará em 9,4% neste ano e em 6,4% no próximo, acima da média. Isso, mesmo com a elevação do desemprego - os economistas da FGV estimam que serão fechadas 3 milhões de vagas de emprego formal em 2015 e 2016. “Quando a gente olha o nosso histórico de inflação, com o câmbio jogando contra, é muito difícil. O principal fator da revisão neste momento é o câmbio, que veio, em grande medida, pelo cenário de risco, que vem da incompatibilidade fiscal”, afirmou Sílvia.

Sem incluir em seus modelos os cortes de gastos anunciados nesta segunda-feira pelo governo, os economistas do Ibre/FGV projetam déficit primário fiscal tanto em 2015, com 0,6% do PIB, quanto em 2016, com 0,9%, por causa da piora na atividade econômica. / COLABOROU CÉLIA FROUFE

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