Ficou ainda mais difícil de obter financiamentos

A perda do grau de investimento pelo Brasil torna ainda mais difícil o levantamento de recursos pelas empresas, já afetado por juros altos, inadimplência e menor disposição dos bancos de emprestar. Estreita-se, assim, o espaço para a captação – e este quadro é pior quando as fontes de recursos estão no exterior.

O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 02h26

Nos primeiros sete meses do ano, segundo os últimos dados do Banco Central (BC), as concessões de crédito às empresas caíram 4% em relação a igual período de 2014, em termos nominais; e o recuo foi de 12% em relação a junho. Se a tendência se agravar, ficará ainda menos provável a recuperação dos negócios do segundo semestre, o que já aparece nas projeções cada vez piores do boletim Focus, do Banco Central, para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no próximo ano.

Grandes empresas brasileiras dependem de crédito externo para financiar seus investimentos ou para manter em caixa os recursos de que precisam para atender a situações emergenciais. Os números mostram que essas companhias já enfrentavam um mercado internacional difícil – de janeiro a julho, a captação no mercado global foi de apenas US$ 8,1 bilhões, 78% menos do que a de US$ 37,3 bilhões em igual período do ano passado.

A questão não é só de oferta, mas de demanda de recursos. As empresas “só captam o que precisam para garantir um plano de investimento para o ano”, disse ao Estado a diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carolina Lacerda.

Os bancos locais emprestaram muito a companhias em dificuldades ou envolvidas na Operação Lava Jato e, por isso, estão menos propensos a aplicar. A disparada das cotações do dólar agravou a situação de companhias dependentes do mercado internacional.

Um sinal dos problemas já aparecia nas operações de CDS (Credit Default Swaps), que revela o quanto é mais cara uma dívida brasileira em relação à dívida de mesmo prazo do Tesouro americano. A cotação do CDS chegou a 386 pontos na quinta-feira passada. Ou seja, o risco de um calote brasileiro, por menos provável que este seja, acrescentava um prêmio de 3,86 pontos porcentuais sobre a taxa de juros dos papéis sem risco.

O crédito escasso ou caro, tanto em reais quanto em dólares, torna a retomada da economia tarefa muito difícil

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