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Fim dos fundamentalismos

Certos conceitos há anos cultivados pelas esquerdas brasileiras estão morrendo

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Celso Ming

02 Fevereiro 2016 | 21h00

Como tanta coisa na história, certos fundamentalismos há anos cultivados pelas esquerdas brasileiras estão morrendo. Se voltarão reencarnados ou não é coisa de se ver. Confira alguns deles:

(1) Equilíbrio fiscal é coisa dos ortodoxos e faz o jogo dos banqueiros e dos rentistas.

Agora se viu que é a população de baixa renda que mais se prejudica com os desequilíbrios fiscais. Os ricos, ao contrário, estão mais apetrechados para defender seu patrimônio. Até mesmo para garantir políticas sociais e de distribuição de renda, é preciso antes que as contas públicas estejam em ordem.

(2) É inevitável que políticas de desenvolvimento econômico produzam inflação. Quando se trata de optar entre uma e outra, opta-se pelo crescimento econômico e pelo emprego. Mais adiante, o avanço econômico por si só acabará com a inflação.

Ao longo do governo PT, ficou claro que a inflação não só corrói poder aquisitivo do trabalhador, mas também tira a sustentação do crescimento econômico, cria desconfiança, derruba o investimento e o emprego. Não é só o Banco Central que diz isso. A própria presidente Dilma já fez essa descoberta e a repetiu na reunião do Conselhão da última quinta-feira.

(3) Basta estimular o consumo, com crédito farto e subsidiado, isenções tributárias e desonerações para que os investimentos e a produção venham a seguir.

Esta foi uma das máximas da desastrada Nova Matriz Macroeconômica. Alguém ainda duvida de que é preciso criar confiança para que haja investimento e o empresário libere seu espírito animal? Sem investimentos, não há como garantir a produção futura.

(4) Privatização é entrega de patrimônio público para os proprietários do grande capital. As concessões de serviços públicos não passam de “privataria”.

O governo PT está revendo essa posição. Embora com o breque de mão puxado, abriu concessões de aeroportos, rodovias, ferrovias, portos, etc. E no dia 20 de janeiro, em encontro com blogueiros, o ex-presidente Lula não vacilou em passar o recado: “É necessário fazer concessão e, se for pra fazer concessão para empresa estrangeira, que se faça”. De cambulhada, fica revogada a cisma de que, em princípio, toda empresa estrangeira tende a trabalhar contra o interesse nacional. E o governo Dilma levou a Petrobrás a privatizar subsidiárias, como a Transpetro e a Gaspetro, como mostram os projetos de desinvestimento.

(5) O crescimento do setor produtivo depende de crédito subsidiado, da escolha prévia de futuros campeões nacionais e de reservas de mercado.

Nem mesmo R$ 500 bilhões injetados pelo BNDES e a instituição de políticas de conteúdo local foram suficientes para impedir o processo de desindustrialização no Brasil.

(6) Sem reforma agrária é impossível garantir o crescimento da produção agrícola.

O agronegócio é um setor altamente vitorioso no Brasil. Cresceu sem políticas de redistribuição de terras e mesmo sem incentivos à produtividade. Em contrapartida, com as exceções devidas, os assentamentos do Incra continuam entre os segmentos mais atrasados da agricultura brasileira. No mais, ficou comprovado que sem-terra não quer terra; quer emprego.

CONFIRA

Aí está a evolução da produção industrial nos últimos sete anos.

Desastre

O desempenho da indústria em 2015 foi um desastre. A produção caiu 8,3% em relação à de 2014. É o resultado da política equivocada do governo Dilma desde 2012. Lamentavelmente, os dirigentes da indústria também contribuíram para isso na medida em que pressionaram e aplaudiram seguidos pacotes discriminatórios, de desoneração fiscal, de crédito subsidiado e criação de reservas de mercado, que aumentaram a insegurança e derrubaram o investimento.

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