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Fim dos fundamentalismos

Certos conceitos há anos cultivados pelas esquerdas brasileiras estão morrendo

Celso Ming

Como tanta coisa na história, certos fundamentalismos há anos cultivados pelas esquerdas brasileiras estão morrendo. Se voltarão reencarnados ou não é coisa de se ver. Confira alguns deles:

(1) Equilíbrio fiscal é coisa dos ortodoxos e faz o jogo dos banqueiros e dos rentistas.

Agora se viu que é a população de baixa renda que mais se prejudica com os desequilíbrios fiscais. Os ricos, ao contrário, estão mais apetrechados para defender seu patrimônio. Até mesmo para garantir políticas sociais e de distribuição de renda, é preciso antes que as contas públicas estejam em ordem.

(2) É inevitável que políticas de desenvolvimento econômico produzam inflação. Quando se trata de optar entre uma e outra, opta-se pelo crescimento econômico e pelo emprego. Mais adiante, o avanço econômico por si só acabará com a inflação.

Ao longo do governo PT, ficou claro que a inflação não só corrói poder aquisitivo do trabalhador, mas também tira a sustentação do crescimento econômico, cria desconfiança, derruba o investimento e o emprego. Não é só o Banco Central que diz isso. A própria presidente Dilma já fez essa descoberta e a repetiu na reunião do Conselhão da última quinta-feira.

(3) Basta estimular o consumo, com crédito farto e subsidiado, isenções tributárias e desonerações para que os investimentos e a produção venham a seguir.

Esta foi uma das máximas da desastrada Nova Matriz Macroeconômica. Alguém ainda duvida de que é preciso criar confiança para que haja investimento e o empresário libere seu espírito animal? Sem investimentos, não há como garantir a produção futura.

(4) Privatização é entrega de patrimônio público para os proprietários do grande capital. As concessões de serviços públicos não passam de “privataria”.

O governo PT está revendo essa posição. Embora com o breque de mão puxado, abriu concessões de aeroportos, rodovias, ferrovias, portos, etc. E no dia 20 de janeiro, em encontro com blogueiros, o ex-presidente Lula não vacilou em passar o recado: “É necessário fazer concessão e, se for pra fazer concessão para empresa estrangeira, que se faça”. De cambulhada, fica revogada a cisma de que, em princípio, toda empresa estrangeira tende a trabalhar contra o interesse nacional. E o governo Dilma levou a Petrobrás a privatizar subsidiárias, como a Transpetro e a Gaspetro, como mostram os projetos de desinvestimento.

(5) O crescimento do setor produtivo depende de crédito subsidiado, da escolha prévia de futuros campeões nacionais e de reservas de mercado.

Nem mesmo R$ 500 bilhões injetados pelo BNDES e a instituição de políticas de conteúdo local foram suficientes para impedir o processo de desindustrialização no Brasil.

(6) Sem reforma agrária é impossível garantir o crescimento da produção agrícola.

O agronegócio é um setor altamente vitorioso no Brasil. Cresceu sem políticas de redistribuição de terras e mesmo sem incentivos à produtividade. Em contrapartida, com as exceções devidas, os assentamentos do Incra continuam entre os segmentos mais atrasados da agricultura brasileira. No mais, ficou comprovado que sem-terra não quer terra; quer emprego.

CONFIRA

Produção industrial
Produção industrial

Aí está a evolução da produção industrial nos últimos sete anos.

Desastre

O desempenho da indústria em 2015 foi um desastre. A produção caiu 8,3% em relação à de 2014. É o resultado da política equivocada do governo Dilma desde 2012. Lamentavelmente, os dirigentes da indústria também contribuíram para isso na medida em que pressionaram e aplaudiram seguidos pacotes discriminatórios, de desoneração fiscal, de crédito subsidiado e criação de reservas de mercado, que aumentaram a insegurança e derrubaram o investimento.

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