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‘Filme sobre o Plano Real é uma fábula’

Franco diz não ter se reconhecido no personagem, mas que o importante eram os fatos históricos

Vinicius Neder, Impresso

03 Junho 2017 | 17h00

Gustavo Franco assistiu no último domingo ao filme Real, a história por trás do plano, baseado em fatos reais, no qual surge como protagonista. Foi a uma das salas do Lagoon, complexo de cinemas à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. Entrou com a sala já escura e saiu antes mesmo de as luzes serem acesas. Para Franco, que colaborou com a produção na fase inicial de pesquisa para o roteiro, é “maravilhoso” que se faça com um filme “com qualidade técnica” sobre a história do Plano Real.

“Para um público que não teve exposição a isso, é muito bacana”, disse Franco ao Estado, na sexta-feira, no Departamento de Economia da PUC-Rio, onde se formou, fez o mestrado e, desde a volta do doutorado na Universidade Harvard, lecionava quando foi chamado para integrar a equipe econômica chefiada pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso.

Embora reconheça a importância de trazer de volta o debate sobre o Plano Real, o economista destacou algumas passagens ficcionais, fruto da “independência artística” do filme. “O filme é uma fábula sobre o evento e ele se afastou do livro”, disse o economista, numa referência a 3.000 dias no bunker, de Guilherme Fiúza, no qual o longa foi livremente baseado. Para Franco, o livro é “maravilhoso”, uma reportagem fiel aos fatos.

Segundo Franco, as hostilidades entre ele e Persio Arida, uma das estrelas daquela equipe econômica, o discurso em cima do caminhão de som e até mesmo o relacionamento amoroso com a personagem de Paolla Oliveira são invenções. Franco disse que não se reconheceu no personagem, mas que o mais importante é o filme não ter coisas “abertamente contraditórias com os fatos históricos conhecidos”.

“Tem uma coisa que me incomoda de ser personagem central do filme: isso não deveria diminuir o fato de que foi um esforço coletivo. Não foram apenas aqueles poucos economistas, mas equipes gigantescas no Ministério da Fazenda e no Banco Central.”

O economista vê semelhanças entre o cenário de 1993, quando o Plano Real começou a ser gestado ainda na metade do primeiro ano do governo de transição de Itamar Franco, e o da crise atual, mas prefere destacar as diferenças. “Nem todos os vice-presidentes são iguais, nem todos os escândalos que paralisam o Congresso têm a mesma natureza e consequências”, disse.

A diferença fundamental entre 1993 e hoje é que o problema daquela época, a hiperinflação, era mais “grave” e “urgente”. A recessão é terrível, mas, enquanto o desemprego atual atinge 14% da população, “a hiperinflação atingia 100%”. 

 

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