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Fitch: ajuda do governo aumenta risco do setor elétrico

As novas medidas anunciadas pelo governo brasileiro para apoiar as distribuidoras de energia elétrica são um sinal de intensificação do risco regulatório no setor energético do País e são mais uma medida heterodoxa adotada para ajudar o setor a lidar com uma situação difícil, afirmou a agência de classificação de risco Fitch.

Segundo a Fitch, apesar de ser positiva para a necessidade de caixa das empresas, essa nova medida é outro indicador do crescente intervencionismo do governo no setor que vai gerar obrigações para o governo e pressão sobre as tarifas das companhias nos próximos anos.

A injeção de capital de até R$ 21 bilhões em 2014 visa prevenir pressões sobre a liquidez nas distribuidoras e o repasse dos custos com energia por meio dos mecanismos de ajustes anuais. A maior parte do dinheiro, R$ 8 bilhões, virá de um financiamento bancário à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), onde é negociada diariamente a energia disponível das geradoras às Distribuidoras. Outros R$ 4 bilhões do pacote virão dos cofres públicos - serão aportados pelo Tesouro Nacional no principal fundo setorial, a Conta de Desenvolvimento de Energia (CDE), que já havia sido financiado em R$ 9 bilhões para 2014. Finalmente, o governo vai realizar um leilão de energia nova, mais barata, no fim de abril, para ampliar a oferta às distribuidoras.

"Em 2014, o setor elétrico brasileiro estará em uma posição difícil, pois os níveis de principais reservatórios hídricos do país estão próximos aos níveis observados durante o racionamento de energia de 2001. Esta situação é agravada pelo fato de que o fim da estação das chuvas está se aproximando, em abril", afirmou a agência.

Segundo a Fitch, até janeiro de 2014, a Light, CPFL, Eletropaulo, Cemig e Copel eram as empresas com maior exposição negativa à elevação de preços à vista. "Até essa data, as empresas tinham contas a pagar de energia no valor de R$ 127 milhões, R$ 106 milhões, R$ 83 milhões, R$ 75 milhões e R$ 74 milhões, respectivamente. Em fevereiro de 2014, a Fitch projeta que essas obrigações terão, no mínimo, dobrado para cada empresa, tendo em vista o preço médio mensal à vista de R$ 822,83/MWh é mais do que o dobro da taxa de R$ 383,67/MWh em janeiro", afirmou.