Fluxo cambial em maio dobra; no ano, saldo passa a ser positivo

Resultado do mês passado foi o 2º consecutivo positivo e foi diretamente influenciado pela conta financeira

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

03 Junho 2009 | 12h55

O fluxo cambial em maio ficou positivo em US$ 3,134 bilhões, mais do que o dobro do registrado em abril, quando o Brasil recebeu US$ 1,430 bilhão. Com isso, a entrada de moeda norte-americana no mês passado é o melhor resultado desde setembro de 2008 - mês do agravamento da crise financeira mundial. Além disso, a forte entrada de dólares no mês passado reverteu o saldo negativo que era acumulado até abril, que agora passa para o terreno positivo com ingresso líquido de US$ 1,590 bilhão. Contudo, bem inferior ao resultado em igual período do ano passado, quando era positivo em US$ 15,811 bilhões.

 

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Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, 3, o resultado do mês passado foi o segundo consecutivo positivo e foi diretamente influenciado pela conta financeira, que teve saldo líquido positivo de US$ 1,583 bilhão - entradas de US$ 27,538 bilhões e saídas de US$ 25,955 bilhões. O saldo positivo de maio na conta financeira foi o primeiro superávit desde março de 2008, quando o ingresso líquido foi de US$ 1,388 bilhão.

 

No segmento comercial, representado principalmente pelo saldo da balança comercial, a entrada de dólares chegou a US$ 1,551 bilhão, resultado de exportações totais de US$ 12,390 bilhões e importações de US$ 10,838 bilhões.

 

Acumulado no ano

 

Segundo o BC, o desempenho acumulado em 2009 decorreu da conta comercial, que teve superávit de US$ 12,975 bilhões. A conta financeira no intervalo registrou saída de US$ 11,385 bilhões.

 

Meirelles e Mantega descartam IOF na renda fixa

 

A forte entrada de dólares no País derrubou as cotações da moeda norte-americana. Em maio, o dólar acumulou queda de 9,96%, a maior desvalorização mensal desde abril de 2003. Para conter a tendência, o Banco Central vem realizando intervenções no mercado de câmbio, que somaram US$ 2,748 bilhões no acumulado de maio até o dia 27. Na média, o BC comprou US$ 211,35 milhões em cada dia desde que retomou as intervenções diárias no mercado cambial em 8 de maio.

 

Outra medida a ser cogitada foi a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de renda fixa. Contudo, nesta quarta, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou esta possibilidade. Segundo ele, isso não se justifica nesse momento porque o fluxo cambial de maio foi determinado, em grande parte, por investimento estrangeiro direto para o segmento de máquinas e equipamentos e para a Bolsa de Valores, e não para a renda fixa. Em maio, o investimento estrangeiro na Bolsa chegou a R$ 6,08 bilhões e bateu recorde.

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também afirmou hoje que não pensa em taxar de IOF a entrada de capitais estrangeiros no Brasil. Segundo ele, outras áreas do governo podem especular a respeito, mas o poder de decisão é do Ministério da Fazenda.

 

Mantega disse achar que não há um fluxo de capital estrangeiro que justifique a taxação. Ele lembrou que no ano passado o governo adotou uma alíquota de 1,5% de IOF para a renda fixa porque havia um fluxo exagerado que atrapalhava a economia. "Agora, estamos falando de um fluxo no mercado de capitais, na Bolsa, e de um fluxo de investimentos", destacou.

 

O ministro avaliou que existem também algumas empresas brasileiras que não estavam conseguindo captar no exterior e que, agora, voltaram a captar e estão internalizando os recursos. "Então, não é uma questão especulativa. Não é uma questão negativa", disse. Ele, no entanto, admitiu que o câmbio valorizado no Brasil preocupa, mas afirmou que não adianta tomar medidas inadequadas que não resolvem o problema.

 

Ao ser questionado sobre o que poderia ser feito para conter essa valorização do real, o ministro disse que o governo ainda está pensando em soluções. Mas destacou que ainda é "muito cedo" para alguma medida.

 

 

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