Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Analistas já preveem queda de quase 2% do PIB em 2015

Além da piora para este ano, recuperação em 2016 perde força, aponta o Relatório Focus; projeção para a inflação sobe para 9,32%

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2015 | 09h01

A deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País está cada vez mais forte este ano, enquanto a perspectiva de recuperação em 2016 perde a intensidade. De acordo com o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 foram revisadas mais uma vez para baixo: a expectativa de retração de 1,80% foi substituída por uma queda de 1,97% agora. O documento é divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira pela manhã. Há um mês, a mediana das previsões estava negativa em 1,50%.

Para o PIB de 2016, a estimativa passou de 0,20% para 0,00% agora. Um mês antes, estava em 0,50%. O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.

No boletim Focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial foi revisada de baixa de 5,00% para queda de 5,21%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em alta, mas perdeu a força, passando de 1,30% para 1,15% - um mês antes era 1,40%.

Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas é a de que deve encerrar 2015 em 36,20% e não mais em 37,00% como apontado na semana passada. Em 2016, a projeção de 38,50% foi mantida. Há quatro semanas, as medianas das previsões para esse indicador eram de, respectivamente, 37,20% e 38,00%.

Inflação. Já o esforço de levar as projeções do mercado financeiro para convergir para a meta de 2016 deu um passo atrás. De acordo com o documento, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo (IPCA) do ano que vem subiu de 5,40% para 5,43%. O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% em 2016, mas, recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para "novos riscos" que surgiram para o comportamento dos preços. 

Mesmo com esta alta agora, no entanto, a projeção ainda é menor do que a vista há um mês. Na ocasião, a mediana para o IPCA de 2016 estava em 5,44%. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. 

No caso da inflação de 2015, houve elevação pela 17ª vez seguida. A estimativa para o IPCA deste ano avançou de 9,25% da semana anterior para 9,32% agora. Há um mês, essa projeção estava em 9,12%. No RTI de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado. Na última ata do Copom, da semana passada, o BC informou que suas projeções para 2015 também subiram mais. 

Chama atenção também o movimento do Top 5, grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, nas estimativas apresentadas hoje. A mediana para o IPCA de 2015 passou de 9,27% para 9,53%. A nova previsão também está maior do que a de há um mês, quando era 9,12%. No caso de 2016, a previsão desse grupo passou de 5,41% para 5,42%. Quatro semanas antes estava em 5,27%.

A taxa de câmbio, que tem impacto direto na inflação, teve a projeção elevada pela terceira semana consecutiva. O documento mostra que a mediana das estimativas para o câmbio em 2015 passou de R$ 3,35 para R$ 3,40. Há quatro semanas, o ponto central da pesquisa estava em R$ 3,23. No caso da cotação média de 2016, também houve mudanças, passando de R$ 3,38 para R$ 3,44.

Juros. Depois da divulgação da ata do Copom, as expectativas do mercado financeiro para a taxa básica de juros praticamente ficaram inalteradas em todos os horizontes. A previsão do Focus é de que a Selic chegue ao final deste ano em 14,25% ao ano foi mantida. Esta é a mesma previsão da semana anterior e também o nível em que já se encontra hoje depois que o Copom elevou a Selic há cerca de 10 dias. Para 2016, a previsão está estacionada em 12% ao ano há três semanas.

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