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Fora do Vale do Silício, site de viagens prospera

Filipe Serrano - O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2013 | 02h 07

Fundador do site TripAdvisor, Stephen Kaufer, investiu em tecnologia para reunir dezenas de milhões de avaliações feitas por turistas do mundo todo

Quando o empresário Stephen Kaufer fundou o site TripAdvisor há 13 anos, planejar uma viagem por meio da internet já era uma atividade comum. Mas encontrar informações confiáveis para saber em qual hotel se hospedar, em qual restaurante jantar ou qual atração visitar era uma tarefa árdua que exigia uma longa procura em fóruns e sites especializados.

Formado em Ciência da Computação, Kaufer imaginou que poderia usar as informações e dicas de milhões de turistas de todo o mundo para criar um enorme banco de dados útil para quem vai viajar. Investindo em algoritmos e tecnologia, o site montou rankings de hotéis e restaurantes que hoje influenciam a decisão de milhões de turistas no mundo.

No último trimestre, foram 220 milhões de visitantes mensais e, principalmente, mais de 100 milhões de avaliações de turistas - 70 contribuições por minuto. As opiniões são o que o site tem de maior valor.

"Com centenas de milhões de visitantes, mesmo se uma pequena porcentagem escrever uma avaliação, você ainda coleta centenas de milhares de opiniões sobre os lugares, o que é uma estatística incrível", disse ele em entrevista por telefone.

O escritório do site fica na região de Boston, costa leste dos Estados Unidos. E, mesmo longe do Vale do Silício (onde estão as principais empresas de tecnologia), o TripAdvisor se tornou um influente negócio de internet e turismo.

Em 2005, o serviço foi comprado pelo grupo Expedia, que também é dono de outros sites do setor como o Hoteis.com. E em 2011, entrou na bolsa. O serviço tem acumulado bons resultados desde então por causa do crescimento da audiência e da publicidade - o site lucra cada vez que alguém clica em um link dos serviços de comparação de preços (também há anúncios tradicionais). No segundo trimestre, a receita foi de US$ 246,9 milhões, 25% maior do que no ano anterior.

A América Latina representa ainda uma pequena parte (4%) desse valor, mas Kaufer vê potencial na região e no Brasil. "O mercado em si é tremendo e teremos boas oportunidades com a Copa do Mundo e a Olimpíada chegando", diz.

Sobre o futuro do site, Kaufer diz que pode criar um serviço ainda mais personalizado, para que o site indique hotéis e lugares adequados ao gosto do viajante. "Se tivermos informações suficientes sobre você, poderemos recomendar não apenas o hotel mais bem avaliado em Londres, mas o hotel perfeito para você em Londres, as melhores coisas para fazer lá em três dias, e sugerir ótimos itinerários", diz. "Temos todas essas informações agora, mas acho que podemos tornar isso muito mais fácil."