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Formação é arma do e-commerce contra 'apagão' de talentos

Apesar de pagar salários acima da média do mercado, empresas têm dificuldades para achar mão de obra qualificada

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NAYARA FRAGA ,
O Estado de S.Paulo

07 Março 2013 | 02h06

Um profissional júnior que trabalha no comércio eletrônico ganha, na maior parte dos casos, um salário compatível com o da categoria sênior - se analisados casos semelhantes em outros segmentos. O valor recebido chega a ser até 60% superior ao que o funcionário deveria ganhar com as qualificações que possui, segundo estimativas do diretor da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (câmara e-net), Gerson Rolim.

Tamanha distorção torna difícil a contratação de funcionários no e-commerce. Em pesquisa da consultoria e-bit, 274 lojas virtuais afirmaram que 65% dos candidatos a emprego entrevistados em 2012 não preenchiam requisitos exigidos.

Essa carência de gente capacitada estimula, de um lado, o "roubo" de executivos de empresas consagradas, como o Submarino - ex-funcionários do site são figuras frequentes em empreendimentos iniciantes. Por outro lado, é também um estímulo à criação de cursos voltados exclusivamente para o e-commerce.

O grupo Buscapé, que nasceu com o comparador de preços, oferece 32 cursos online e três presenciais em sua universidade corporativa. As áreas de conhecimento variam de logística a SEO (estratégia para aparecer no topo dos resultados de uma busca na web), e 70% dos professores são da própria companhia.

"Entre as pessoas que procuram os cursos estão donos de lojas físicas que pretendem abrir loja virtual e pessoas que veem oportunidade de construir carreira no setor", diz o diretor da Universidade Buscapé, Daniel Cardoso. Uma empresa de e-commerce precisa de profissionais com conhecimento em marketing digital, links patrocinados, métricas na web, atendimento ao cliente e logística.

Segundo Cardoso, na Universidade Buscapé ensina-se inclusive o que não fazer: por exemplo, montar um site animado todo em Flash, que não é facilmente achado no Google. Há lições ainda sobre os empreendimentos que têm maior chance de obter sucesso. "Hoje, ou você parte para o nicho ou tem uma ideia revolucionária", diz André Lucena, que fez um curso no Buscapé e pretende montar um site de artigos para corrida de rua.

A iniciativa do Buscapé também tem um interesse comercial. O grupo tem 14 empresas e os cursos ensinam como usar os serviços dessas companhias.

Há também outros projetos voltados para o ensino do e-commerce no País. A câmara e-net diz que vai ministrar cursos a partir de abril de 2013 em parceria com o Sebrae. A E-commerce School, de São Paulo, tem hoje 20 cursos na grade que custam de R$ 30 a R$ 3 mil. Já a ESPM forma 100 alunos por ano, desde 2007, no curso "E-commerce: os novos caminhos do varejo".

Saída. Já a Netshoes, que vende calçados e acessórios na web, investe no treinamento interno de sua mão de obra para não ter de participar de "leilões" por trabalhadores. A empresa tem um centro de treinamento que ocupa um andar inteiro de sua sede, em São Paulo. O total de horas de treinamento aumentou de 20 mil, em 2010, para 153 mil, no ano passado. A Netshoes, que hoje mantém uma "escola de negócios", montará sua própria universidade corporativa este ano.

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