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Forte em carros populares, Volks é a montadora que mais perde na crise

Nos últimos três anos, a participação da montadora alemã caiu de 21,1% para 14,5%, o que levou a companhia a perder para a GM o 2º lugar na preferência dos brasileiros; no boom do setor, entre 2003 e 2012, empresa foi a que mais cresceu em vendas

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André Ítalo Rocha,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 05h00

Das quatro montadoras que lideram o mercado brasileiro de veículos leves, a Volkswagen foi a que viveu mais intensamente os ciclos do setor nos últimos 13 anos. De 2003 a 2012, quando o mercado experimentou dez anos seguidos de alta nas vendas, a empresa alemã foi a que melhor aproveitou o momento, elevando as vendas em ritmo superior ao de suas principais concorrentes – Fiat, GM e Ford. Por outro lado, depois que o setor entrou em queda livre, em 2013, foi a que mais sofreu, com a maior retração acumulada desde então.

Para analistas do setor, o carro mais conhecido da marca, o Gol, é o principal símbolo disso. Líder do mercado por vários anos seguidos, o modelo perdeu seu reinado em 2014 para o Palio, da Fiat. Passou, então, a ocupar a segunda posição na preferência dos brasileiros. Em 2015, nova queda. O Gol caiu da segunda para a quinta posição, sendo ultrapassado pelos modelos Onix, da GM, HB20, da Hyundai, e Ka, da Ford.

Os carros que superaram o Gol não ficaram imunes à crise e também tiveram retração nas vendas. No entanto, a queda do Gol impactou mais fortemente o resultado geral da Volkswagen do que outros modelos concorrentes em suas respectivas montadoras.

Entre 2012 e 2015, as vendas de veículos leves da Volkswagen caíram 53%, de 768 mil para 359 mil unidades, 409 mil a menos, segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Sozinho, o Gol responde por 51% desta redução, com uma queda de 211 mil unidades. O Palio, da Fiat, que também caiu, representa 15% da retração da montadora italiana.

Além de perder mercado para seus concorrentes tradicionais, o Gol viu outras marcas estrangeiras chegarem ao País com veículos a preços competitivos. A sul-coreana Hyundai veio com o HB20 e a japonesa Nissan trouxe o March.

“São veículos que ganharam espaço por proporcionarem um custo benefício melhor às famílias. Estas marcas conseguiram dar qualidade e brigar por preço”, afirma o economista Rodrigo Baggi, responsável por analisar o setor automotivo na consultoria Tendências.

Queda. Em meio a essa nova configuração, as quatro principais marcas perderam boa parte do mercado. Em 2003, elas representavam 82% das vendas de veículos leves. No ano passado, essa fatia caiu para 58%. Considerando os últimos três anos de recuo do setor, a Volkswagen foi a que mais perdeu espaço. Saiu de 21,14% para 14,51% do total comercializado, uma perda de 6,63 pontos porcentuais. Com isso, deixou de ser a segunda marca na preferência dos brasileiros para ser a terceira, sendo ultrapassada pela GM. Na competição entre montadoras, não mais entre modelos, a Fiat ocupa a liderança há 14 anos.

Apesar de a Volkswagen se destacar na tendência de queda, houve um fator que comprometeu os resultados de todas as quatro líderes: a retração da renda dos mais pobres. “Com o aumento do endividamento, o orçamento das famílias ficou mais apertado. E, como sabemos, os que têm menos renda são os primeiros afetados pela crise e as marcas que oferecem veículos mais baratos são, portanto, as que mais se prejudicam”, afirma Baggi. Além disso, o governo encerrou, no fim de 2014, o benefício da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida que encareceu o carro e afastou o consumo.

O inverso também ocorreu quando o mercado vivia um bom momento. Nos dez anos seguidos de alta, entre 2003 e 2012, as marcas mais populares foram as que mais cresceram. Com políticas que elevaram o poder de compra do brasileiro – como a valorização do salário mínimo, o avanço da formalização do mercado de trabalho e a expansão do crédito –, as vendas quase triplicaram, de 1,3 milhão de unidades para 3,4 milhões.

Em 2012, o governo reduziu o IPI para veículos, com o objetivo de estimular ainda mais o consumo. A medida elevou o patamar de unidades vendidas para 3,6 milhões naquele ano, um novo recorde para o setor. No fim das contas, entre 2002 e 2013, a Volkswagen deu, entre as quatro maiores montadoras, o maior salto nas vendas: 171%. A Fiat teve o segundo melhor desempenho, com crescimento de 146%. A Ford e a GM tiveram altas de 114% e 92%, respectivamente.

Resultados. A forte queda da Volkswagen no Brasil tem contribuído para piorar o resultado global da montadora. No ano passado, a empresa alemã registrou a primeira baixa nas vendas em todo o mundo em 13 anos. Em nota publicada em seu site oficial, a Volkswagen destacou alguns resultados por países e, entre eles, o do Brasil era o pior, com recuo de 38,1% nas vendas em relação a 2014.

Sobre o desempenho no mercado brasileiro, a Volkswagen do Brasil afirmou em nota que, mesmo diante do cenário desafiador, realizou investimentos para produzir um produto global por fábrica no País: up!, Jetta e Golf. Além disso, a empresa investiu R$ 460 milhões na fábrica de motores, em São Carlos, para a produção de uma tecnologia global para motores.

Segundo a montadora, essa estratégia abre novas oportunidades tanto para o mercado externo como para o interno. Em 2015, as exportações da marca cresceram 35% em relação a 2014 e 10 pontos porcentuais a mais que o crescimento do setor automotivo brasileiro, que fechou 2015 com alta de 24,8% nas exportações.

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