Francês que investiu 1 bi com Madoff se suicida

Dinheiro pertencia a clientes de sua empresa; investidores processam Fairfield em Nova York

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

23 Dezembro 2008 | 00h00

O investidor francês Thierry de la Villehuchet, co-fundador da empresa Access International, suicidou-se ontem em seu escritório de Nova York, após ter perdido mais de 1 bilhão de clientes por meio de aplicações nos produtos geridos pelo americano Bernard Madoff. A informação é do jornal francês La Tribune. Segundo o diário, Villehuchet, de 65 anos, se matou por não poder suportar a pressão pelo fato de ter perdido somas milionárias dos investidores. Ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq, Madoff foi preso no dia 11 de dezembro, acusado de uma megafraude que causou prejuízos estimados em US$ 50 bilhões ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Sua reputação era tamanha que ele era considerado uma lenda em Wall Street. Segundo um dos colaboradores do investidor francês - que não foi identificado pela reportagem -, há uma semana, ele buscava uma forma de recuperar o dinheiro dos clientes. "É o adeus de alguém que não podia ser reprovado por nada porque tomava todas as diligências necessárias em sua área", disse. "O certo é que todos queriam investir em Madoff, considerado por muitos como AAA, ou seja, de absoluta segurança." PROCESSO O Fairfield Greenwich Group, que confiou US$ 7,5 bilhões a Bernard Madoff, está sendo processado em um tribunal de Nova York por investidores que consideram que a empresa não cuidou corretamente de seu dinheiro. A companhia, que pertence a Walter Noel (que é casado com uma brasileira e vendeu produtos vinculados a Madoff no País), disse que investiu, por meio do fundo de investimento Greenwich Sentry, US$ 220 milhões com Madoff. O Fairfield também confiou US$ 7,3 bilhões de seu fundo Fairfield Sentry à gestão do americano. Durante anos, o fundo ofereceu rentabilidade constante, quase sem oscilações. No entanto, Madoff confessou que chegou um momento em que essa rentabilidade não era conseguida com inteligentes estratégias de investimento na bolsa de valores, mas de um sistema de pirâmide pelo qual utilizava os fundos novos que chegavam para pagar os juros dos clientes mais antigos. No início do mês, depois que a crise forçou alguns de seus clientes a retirar seu dinheiro e diminuir novas entradas de capital, Madoff não foi capaz de continuar pagando os juros que, em teoria, estava conseguindo e confessou ao FBI (Polícia Federal dos EUA) que tinha montado o esquema. Uma das entidades que confiaram mais dinheiro a Madoff, que se encontra em prisão domiciliar e vigiado 24 horas, foi o Fairfield. Segundo o processo aberto em Nova York, os investidores consideram que os sócios não cumpriram sua responsabilidade fiduciária e enriqueceram injustamente com seus fundos - um levantamento revelou que o Fairfield ganhou cerca de US$ 135 milhões no último ano em comissões relativas ao envio de clientes para Madoff. O processo apresentado foi feito sob o formato de denúncia coletiva. Por isso, está aberta a incorporação de pessoas que se considerarem na mesma situação.

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