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Funcionários dos Correios entram em greve em São Paulo e no Rio de Janeiro

Trabalhadores pedem 10% de aumento real e reajuste no benefício de alimentação; empresa diz ter plano para garantir as entregas

Agência Brasil

16 Setembro 2015 | 10h24

Os funcionários dos Correios da capital paulista, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba estão em greve desde a noite de terça-feira. A decisão ocorreu após a assembleia do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos (Sintect-SP) recusar a proposta do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os trabalhadores pedem reposição da inflação e mais 10% de aumento real, além de reajuste no benefício de alimentação.

A reunião de mediação realizada pelo TST em Brasília, na última sexta-feira, terminou com uma proposta do vice-presidente do tribunal, ministro Ives Gandra, que incluiu reajuste salarial zero, com uma gratificação de R$ 150 mensais a partir de agosto e mais R$ 50 a partir de janeiro de 2016, até o fim da vigência do acordo coletivo, ou seja, agosto de 2016.

Segundo nota dos Correios, o TST prevê “incorporação de 25% dos R$ 200 em agosto de 2016”. Essa última proposta inclui também reajuste de 9,56% nos benefícios.

O sindicato reiterou a preocupação de que esse porcentual não seja incorporado aos salários, afirmando que “o grande problema é que só há previsão de incorporação de R$ 50 aos salários, o restante continuaria 'por fora' indefinidamente, e poderia acabar sendo retirado pela empresa”.

No Rio de Janeiro, os trabalhadores dos Correios também decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Além do aumento de 10% de ganho real, as principais reivindicações são a manutenção das condições do plano de saúde da categoria, a realização de concurso público imediato e a contratação de 1,5 mil trabalhadores.

Diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais (Fentect), Emerson Marinho informou que a greve ocorreu porque a empresa apresentou proposta que não garante a reposição da inflação. "Ela (empresa) apresentou uma proposta linear que não é incorporada imediatamente ao salário e que vem em forma de gratificação, o que não traz reflexo remuneratório nem nas férias nem no décimo terceiro salário. Outro aspecto é o ataque frontal que a empresa vem fazendo ao nosso plano de saúde. Hoje, só pagamos quando usamos, mas os Correios querem instituir uma cobrança mensal de 13% do salário bruto, que hoje tem piso inicial de R$ 1.134,00.”

Por meio da assessoria de comunicação, os Correios informaram que a proposta apresentada pelo TST previa um reajuste equivalente a cerca de 20% do salário inicial do agente de Correios, em forma de gratificação, representando um reajuste linear de R$ 200.

Segundo a empresa, o reajuste médio dos empregados no período 2011-2014 chegou a 36%, para uma inflação de 27,3% no período. Além disso, de acordo com os Correios, os carteiros recebem vale-alimentação mais cesta básica de cerca de R$ 1 mil mensais, adicionais de atividade, plano de saúde, auxílios creche e babá, bolsas de estudos e vale cultura.

A mobilização dos trabalhadores dos Correios é nacional. A empresa disse que nos locais em que houver aprovação de paralisação serão aplicadas medidas do plano de continuidade para garantir as entregas.

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