Pearl Gabel/Reuters
Pearl Gabel/Reuters

Gestora de fundação de Bill Gates processa Petrobrás

Entidade filantrópica do fundador da Microsoft afirma ter tido prejuízos milionários com os investimentos na estatal brasileira, envolvida em corrupção

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 12h23

Atualizado às 21h58

NOVA YORK - A Bill & Melinda Gates Foundation Trust, que administra os recursos da maior instituição filantrópica do mundo, entrou com processo contra a Petrobrás em Nova York para recuperar perdas com investimentos feitos desde 2009 em papéis da empresa brasileira. “A profundidade e a amplitude da fraude na Petrobrás é espantosa”, afirma a ação entregue na Corte de Manhattan.

O processo tem como objetivo recuperar prejuízos em investimentos feitos na Petrobrás entre 2009 e setembro de 2015. “Pela admissão da própria Petrobrás, o esquema de propina afetou mais de US$ 80 bilhões de seus contratos, cerca de um terço de seus ativos totais”, diz o processo. 

A Bill & Melinda Gates Foundation foi criada pelo fundador e ex-presidente da Microsoft, Bill Gates, e sua mulher, Melinda Gates, em 2000, e não tem fins lucrativos. Com sede na cidade de Seattle, nos Estados Unidos, tem US$ 44 bilhões em ativos. O fundo WGI Emerging Markets Fund, com sede em Boston, também entrou na mesma ação.

Como réus no processo, além da Petrobrás, é citada a PricewaterhouseCoopers, empresa que auditou os balanços da petroleira. “Esse caso surge de um esquema de suborno e lavagem de dinheiro realizado pela Petrobrás e deliberadamente ignorado pela PwC”, afirma o processo, de 103 páginas. “Esse é um caso de corrupção institucional, formação de quadrilha e uma fraude maciça aos investidores”, destaca a ação, aberta na quinta-feira.

“A Petrobrás não apenas escondeu a fraude do público investidor, a empresa repetidamente burlou seus controles internos, suas informações financeiras e a governança corporativa em suas declarações públicas”, ressalta o texto, mencionando que a verdade sobre a companhia “começou a vir à tona” em setembro do ano passado, quando ex-executivos da empresa, como Paulo Roberto Costa, começaram a delatar o esquema de corrupção.

Captação. Por meio de divulgação de informações “falsas e enganosas” e “omissões”, a Petrobrás conseguiu captar quantidade expressiva de recursos nos últimos anos, incluindo US$ 70 bilhões em uma oferta de ações em 2010, de acordo com o processo. Nos últimos anos, o documento conta que os gestores de recursos da Bill & Melinda Gates Foundation e do WGI Emerging Markets participaram de diversas reuniões com executivos da Petrobrás, foram a apresentações para investidores no Brasil e nos EUA e acompanharam a empresa “de perto”. Os gestores fizeram “repetidos questionamentos” sobre o ambicioso projeto de investimento da Petrobrás, mas sempre foram convencidos pelo argumento de que a infraestrutura deficiente do Brasil demandava investimentos desse tipo.

O processo da gestora da fundação de Bill Gates é a 16.ª ação individual aberta contra a Petrobrás nos EUA este ano, com investidores reclamando prejuízos por conta das investigações da Operação Lava Jato. Além dessas, foram abertas mais cinco ações coletivas. 

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