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Fundador da GetNet vende empresa de gestão de frota para dona da Ticket

- Atualizado: 12 Janeiro 2016 | 05h 00

Empresário gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho recebeu R$ 790 milhões da francesa Edenred por 65% da Embratec, que atua no gerenciamento de frota de veículos; Corrêa segue como minoritário, com opção de vender sua fatia para a sócia

A rede francesa Edenred, dona no Brasil da marca Ticket, de cartões de benefícios, deve anunciar nesta terça-feira, 12, a compra do controle da Embratec (Empresa Brasileira de Tecnologia e Administração de Convênios), que atua no rastreamento e gerenciamento de frota de veículos leves e pesados e pertence ao empresário gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho. Em 2014, ele vendeu a GetNet, que captura e processa operações financeiras, para o Santander, por R$ 1,1 bilhão.

As negociações duraram cerca de seis meses. O ativo foi disputado por pesos pesados desse mercado, como a francesa Sodexo, principal concorrente da Edencard na França; e pelas americanas FleetCor e Wex, conforme antecipou o Estado em outubro.

Silva vendeu a GetNet ao Santander por R$ 1,1 bilhões
Silva vendeu a GetNet ao Santander por R$ 1,1 bilhões
A Embratec foi assessorada pelo BTG Pactual e pelo escritório BMA Advogados – Barbosa Müssnich Aragão. O grupo francês Edenred recebeu assessoria do Itaú BBA e do Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados.

Procurada pela reportagem, a Edenred não respondeu ao pedido de entrevista. Nenhum porta-voz da Embratec foi encontrado até o fechamento da edição para comentar o assunto.

Bilionário. Dono de uma fortuna estimada em R$ 1,6 bilhão, o nome do empresário gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho pouco aparece no universo empresarial. Avesso a holofotes, Corrêa é agressivo nos negócios.

Segundo fontes, ele decidiu manter uma participação na empresa de gerenciamento de frotas porque acredita no potencial de crescimento do negócio, cujo segmento ainda é muito pulverizado no País.

Com a chegada dos franceses, a operação da Embratec será combinada aos ativos da Edenred no Brasil. A nova empresa, que se originará dessa combinação, deve faturar o dobro da Embratec, cuja receita anual é estimada em R$ 270 milhões. O grupo francês não divulga os resultados da subsidiária brasileira. Em 2014, a Edenred faturou globalmente ¤ 17,7 bilhões e lucrou ¤ 1 bilhão. Na comparação com 2013, os negócios no Brasil registraram um crescimento de 14%.

Fundada no início dos anos 2000, a Embratec, que também controla a empresa Goodcard, de cartões de benefícios, é apenas um dos vários negócios criados por Ernesto Corrêa. O empresário se divide entre Campo Bom, a 57 km de Porto Alegre, e o Uruguai, onde possui fazendas e um apartamento em uma das regiões mais valorizadas de Punta del Este. A GetNet, que atua no mercado de captura e processamento de transações bancárias, foi um dos seus maiores fenômenos, quebrando o duopólio que era dominado por Redecard e Cielo.

O segmento de rastreamento de veículos, no qual a Embratec também atua, tem atraído investidores. Em 2014, um fundo gerido pela GP Investments vendeu 49% da Sascar para a francesa Michelin. O Pátria Investimentos é dono da Zatix.

Corrêa começou sua carreira como exportador de calçados para uma das tradicionais famílias do Rio Grande do Sul, os Reichert, entre os anos 70 e 80. Quando o setor calçadista do Brasil começou a perder competitividade para a China, ele criou uma empresa em solo chinês para exportar calçados para os EUA. E deu certo. Seu filho Ricardo ficou responsável por esse negócio. Os outros três filhos trabalham em outras empresas da família.

O empreendedor gaúcho começou do zero como engenheiro de produtos e criou vários negócios. Uma pessoa próxima a ele afirmou ao Estado em outubro passado que Corrêa não tem apego aos seus negócios. Vende quando se valorizam. É o que tem acontecido nos últimos anos.

Criador de gado, o empresário chegou a ser dono de um frigorífico no Uruguai, chamado Pul, que foi vendido em 2011, para o grupo Minerva, por US$ 65 milhões. Ele ainda é um dos principais investidores da rede de hotéis Intercity e do Banco Topázio. Fontes afirmam que a rede de hotéis também pode ser passada para frente. Discreto, Corrêa cria e vende seus negócios quando percebe que pode ganhar dinheiro.

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