Gastos com custeio recuaram 7,5%, diz governo

De acordo com o Ministério do Planejamento, de janeiro a agosto, apenas os gastos com energia elétrica aumentaram em relação ao ano passado

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2015 | 02h02

Num esforço para mostrar que os gastos com o custeio da máquina federal estão em forte queda, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, divulgou ontem que essas despesas atingiram R$ 14,1 bilhões, uma queda de 7,5%, em termos reais, entre janeiro e agosto deste ano e igual período do ano passado.

"A sociedade brasileira não está destinando mais recursos de sua renda para custear o governo federal", afirmou Barbosa, preocupado também em sinalizar para as agências de rating que as contas públicas estão "se reequilibrando".

O primeiro Boletim de Despesas de Custeio Administrativo, divulgado ontem, separa esses gastos em sete itens: prestações de serviços, limpeza e esgoto, energia elétrica, locação e manutenção de imóveis, material de consumo, diárias e passagens aéreas e serviços de comunicação. Este universo consumiu, no ano passado, R$ 31,6 bilhões - o equivalente a 3% de todo o gasto feito pelo governo Dilma Rousseff em 2014.

Apenas os gastos com energia elétrica aumentaram entre 2014 e 2015, no período entre janeiro e agosto. Segundo o ministro, o forte aumento de 34,5% dessas despesas foi decorrente dos reajustes nas tarifas, permitidas pelo próprio governo a partir de janeiro. Tirando eletricidade, os gastos com custeio administrativo do governo caíram 9,7% em termos reais. "Isso é parte do esforço para melhorar a eficiência do gasto público", disse.

Nos 12 meses terminados em agosto de 2015, as despesas com custeio administrativo somaram R$ 31,9 bilhões, sendo R$ 13 bilhões com prestação de serviços de apoio, R$ 6,5 bilhões com material de consumo, R$ 3,7 bilhões com serviços de comunicação e R$ 2,8 bilhões com locação, manutenção e conservação de imóveis entre os maiores gastos. Com diárias e passagens o governo gastou R$ 1,7 bilhão.

O secretário executivo do ministério, Dyogo Oliveira, disse que medidas tomadas neste ano, como a centralização das compras de passagens aéreas, renderam uma economia aos cofres públicos ao mesmo tempo em que aumentaram a eficiência do governo. "Deixamos de usar as agência de viagens e fizemos credenciamento direto com as companhias aéreas, então não há mais o custo com as agências e ainda conseguimos descontos com as empresas do setor", disse ele.

Barbosa aproveitou para reforçar que o governo estuda formas de reduzir despesas obrigatórias, como os gastos com aposentadorias e pensões e as despesas com salários de servidores. Além disso, ele reforçou a importância para o governo da manutenção de vetos da presidente Dilma Rousseff a medidas que aumentam gastos públicos. Os vetos serão examinados pelo Congresso na quarta-feira.

Outra ponta do ajuste fiscal, a entrada de receitas extraordinárias por meio de aberturas de capital de estatais, como a Caixa Seguradora, continua, segundo o ministro, "dentro das expectativas"./ Colaboraram Lorenna Rodrigues e Rachel Gamarski

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