Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Gestora britânica Ashmore anuncia fechamento de filial no Brasil

Instituição explicou que decisão de fechar foi tomada porque o negócio 'não se desenvolveu como planejado'; gestora continuará a administrar fundos que investem no Brasil a partir de outros escritórios como em Londres, Nova York e Bogotá

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 11h41

LONDRES - Uma das grandes gestoras globais especializadas em mercados emergentes, a britânica Ashmore anunciou na manhã desta terça-feira o encerramento das atividades no Brasil. Em comunicado para anunciar os resultados da instituição até junho, a instituição explicou que a decisão de fechar a unidade de São Paulo foi tomada porque o negócio "não se desenvolveu rapidamente como planejado".

O comunicado enviado aos investidores explica que o fechamento dos negócios no Brasil acontece em um cenário em que "o mercado continua sendo dominado pelo padrão de fluxo volátil e era improvável que a plataforma atingisse escala e flexibilidade suficientes com um tempo aceitável". Apesar do fechamento, a direção da Ashmore em Londres ressalta que a filial obteve "algum sucesso em captar recursos dos investidores locais". O rumor sobre o fechamento da filial brasileira já era ouvido há algumas semanas no mercado.

"A decisão não afeta a capacidade dos fundos globais do grupo em investir nesse importante mercado, nem vai ter qualquer impacto material importante para o grupo", diz o comunicado enviado pela gestora aos investidores. Enquanto fechou a filial que estava instalada no número 2055 da Avenida Brigadeiro Faria Lima em São Paulo, a Ashmore anunciou que abriu novo escritório na Arábia Saudita.

O fechamento do escritório no Brasil acontece em um momento em que a gestora especializada em mercados emergentes amargou resultados negativos. O total de ativos da instituição caiu 21% em um ano, para US$ 58,9 bilhões em 30 de junho de 2015. 

'Fechamento físico'. Após fechar o escritório em São Paulo, a Ashmore esclareceu, no entanto, que continuará investindo em ativos brasileiros. Segundo um porta-voz em Londres, a decisão anunciada mais cedo foi apenas o "fechamento físico" do escritório em São Paulo. "Nossos fundos globais continuarão a investir no mercado de capitais", disse.

"Para ser absolutamente claro. A Ashmore continuará a administrar fundos que investem no Brasil a partir de outros escritórios ao redor do mundo como Londres, Nova York ou Bogotá e vários outros centros financeiros", disse o porta-voz ao Broadcast. "Tudo o que está acontecendo é o fechamento físico do nosso escritório no Brasil".

O porta-voz explicou que o escritório que estava instalado na esquina da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva foi oficialmente fechado em agosto. A instituição financeira não detalha a quantidade de empregados, clientes e patrimônio da ex-filial e informa apenas que "não era um número expressivo" de empregados no local. "Um punhado (de colaboradores) pode ser a maneira correta de caracterizar (o escritório)", disse o porta-voz na capital britânica.

Em um comunicado à imprensa divulgado em 27 de maio de 2008, a Ashmore anunciava a abertura do escritório em São Paulo com a intenção de aumentar a presença no Brasil com fundos focados em ativos brasileiros. Na época, o País surfava com o superciclo das commodities e atraía as atenções do mercado global. A abertura do escritório paulistano aconteceu com o lançamento de dois fundos que administravam total de US$ 100 milhões na época: o Ashmore Brasil Fund Limited e o Ashmore Brasil 30 FIC de FIM.

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