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Giannetti é contra elevação das tarifas para importação de aço

Agencia Estado

20 Março 2002 | 20h 52

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca, disse hoje que é "pessoalmente contra" o governo atender ao pedido das siderúrgicas brasileiras e elevar as tarifas de importação de aço, como forma de evitar a "inundação" do mercado brasileiro pelo produto importado, a partir do fechamento do mercado americano. Ele disse que as siderúrgicas já avisaram a seus clientes brasileiros que promoverão um reajuste de 10% em seus preços, a partir do momento em que a tarifa for elevada. "Ou seja: vão elevar preços e pressionar a inflação por causa de uma tarifa a ser aplicada sobre o aço importado, que é apenas 5% de todo o aço consumido no País", disse ele. "É o rabo abanando o cachorro; eu posso ser muita coisa, mas trouxa eu não sou." Além disso, Giannetti lembrou que havia um acordo entre ele e as siderúrgicas de que esse pedido de elevação de tarifa não fosse apresentado, pois o governo já adotou medidas para dificultar a entrada de aço no País, por meio de controles mais rigorosos da Receita e da Secex. Questionado sobre se o setor havia agido de má fé, o secretário colocou panos quentes: "Não foi deslealdade, acho que foi precipitação." Por esses dois motivos, sua posição pessoal é que a tarifa não deve ser elevada. Mas ainda não existe uma decisão do governo e o tema será discutido na próxima semana, durante reunião da Camex. Crise se prolongará O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima disse que, na sua avaliação, a crise do aço se prolongará por algum tempo. "Essa é uma questão que se arrasta há mais de 20 anos", lembrou. Mas, pelo que se lembra, é a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos interfere. "A crise está muito política", observou. "O jogo bruto está sendo comandado pelo próprio presidente." Ele acha que a crise das siderúrgicas americanas toca fundo na política americana porque "há uma coalizão sinistra entre o grande capital e o sindicalismo, sem falar nos políticos que se aproveitam." O ex-representante do Brasil nos Estados Unidos lembrou, por outro lado, que os interesses brasileiros nessa crise têm aliados de peso. "Toda a indústria automobilística americana está do nosso lado porque essa decisão tem implicações importante sobre sua competitividade", disse.

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