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Gol contrata empresa para reestruturar dívida

Companhia aérea, que viu seu endividamento dobrar no último ano por causa da alta do dólar, será assessorada pela PJT Partners

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Marina Gazzoni e Mônica Scaramuzzo,
O Estado de S.Paulo

29 Março 2016 | 05h00

Em mais uma ação para equalizar suas finanças, a Gol anunciou ontem a contratação da assessoria financeira PJT Partners, uma cisão do fundo gigante americano Blackstone e mesma empresa responsável pela renegociação de dívida da Oi. O anuncio foi feito na véspera da divulgação do balanço financeiro da companhia aérea no quarto trimestre do ano passado, previsto para hoje. A Gol está buscando uma série de medidas para reforçar seu caixa e sobreviver à crise na aviação brasileira.

A Gol disse, em comunicado, que a consultoria vai lhe “aconselhar na tomada de medidas para fortalecer a sua estrutura de capital, liquidez e perfil de seu endividamento”. A empresa também informou que a PJT vai buscar alternativas para reestruturar sua dívida no exterior.

O endividamento da companhia foi fortemente pressionado pela valorização do dólar em relação ao real. Com a maioria das suas receitas em real, a relação dívida bruta ajustada (que inclui as despesas operacionais de leasing, em dólar) pelo Ebitda (indicador de geração de caixa de companhias aéreas) saltou de 6,3 vezes, no terceiro trimestre de 2014, para 11,3 vezes, no mesmo período de 2015.

O mercado financeiro reagiu com otimismo ao comunicado da Gol. A ações da empresa subiram ontem 6,11% na BM&FBovespa e os ADRs (títulos negociados na bolsa dos EUA) subiram 9,31%. Em relatório, os analistas do banco JPMorgan afirmaram que o os anúncios da Gol reforçam seu balanço financeiro e “consequentemente, a percepção de risco relacionada a uma eventual falência da empresa é agora substancialmente menor”. No entanto, após o fechamento do pregão, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou o rating em escala global da Gol de B- para CCC-, e em escala nacional de brB- para brCCC-. Os ratings também foram retirados da observação negativa e têm perspectiva negativa.

Além da PJT, a empresa também comunicou na semana passada que contratou a consultoria SkyWorks Capital, especializada em assessoria financeira e renegociação de leasing. No fim de 2015, a Gol informou que receberá apenas 4 dos 15 aviões da Boeing previstos para serem entregues em 2015 e 2016.

Fontes do mercado financeiro afirmaram ao Estado que a PJT Partners foi contratada para arrumar as finanças da Gol e abrir o caminho para uma futura associação da empresa com uma companhia aérea estrangeira. A maior probabilidade é que a americana Delta, que já é acionista minoritária da Gol, aumente sua participação na Gol por meio de um aporte de capital, apurou o Estado.

No ano passado, a Gol aprovou uma reestruturação societária que, na prática, abre caminho para a diluição dos acionistas controladores da empresa para até 7,5% do capital da companhia. O aumento do limite do capital estrangeiro votante nas companhias aéreas de 20% para 49%, aprovado no início do mês pelo governo, era um pleito antigo das empresas brasileiras. A nova regra facilita a venda de participações a companhias estrangeiras, um recurso comum para a capitalização de empresas aéreas no mundo todo.

Crise na aviação. As empresas aéreas brasileiras enfrentam neste momento o pior cenário dos últimos dez anos. Com a recessão, a demanda esfriou e, ao mesmo tempo, elas sofreram uma pressão de custos pela alta do dólar – cerca de 60% das despesas das empresas é dolarizada. Nos nove primeiros meses de 2015, a Gol acumula prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões.

Para minimizar a perda de caixa, as empresas cortaram voos e vão reduzir a frota no Brasil. A Gol afirmou que a contratação do PJT faz do processo de reestruturação que já está em curso.

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