AFP/Mauro Pimentel
AFP/Mauro Pimentel

Governo arrecada R$ 3,84 bi com a licitação de 37 blocos de exploração de petróleo

Ágio com a venda ficou em 1.556,05%, representando o maior bônus de assinatura total da história; responsável pelo maior lance do leilão em uma parceria com a ExxonMobil, Petrobrás afirma que área 'está vizinha ao pré-sal'

Luana Pavani, Denise Luna, Luciana Collet, Fernanda Nunes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 15h43

RIO e SÃO PAULO - A 14.ª Rodada de Licitações de blocos para exploração de petróleo e gás natural, realizada nesta quarta-feira, 27, arrecadou R$ 3,842 bilhões para o governo, um ágio de 1.556,05%. Em nota, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirma que se trata do maior bônus de assinatura total da história e que o leilão marca a retomada do setor de petróleo e gás no Brasil.

"O sucesso do leilão reflete as mudanças regulatórias realizadas pelo Governo brasileiro, que tornaram o ambiente de negócios no País mais atraente a empresas de diferentes portes", diz a agência em comunicado.

Entre os 37 blocos arrematados, a maior oferta foi de R$ 2,24 bilhões, por Petrobras (50%, operadora) e ExxonMobil (50%), C-M-346, por uma área da bacia de Campos. O presidente da estatal, Pedro Parente, admitiu que um dos motivos que levou as empresas a dar o maior lance do leilão são as chances de o bloco ter reservatórios na área do pré-sal. "É uma possibilidade, porque (a área) está vizinha a áreas do pré-sal. Vamos aprofundar isso no momento da exploração", disse.

Pouco depois do leilão, a ExxonMobil do Brasil divulgou comunicado em que afirma estar ansiosa "para trabalhar com o governo brasileiro" e parceiros na exploração dos blocos arrematados. "Estamos aqui (no Brasil) há mais de 100 anos (desde 1912) e com muita disposição para escrever mais um capítulo desta rica história", diz a nota.

Ao todo, a empresa americana arrematou 10 setores, dos quais dois sozinha e oito em parceria com outras companhias. Do total de R$ 3,8 bilhões arrecadados pelo governo em bônus de assinatura, R$ 3,76 bilhões envolvem alguma participação da ExxonMobil.

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O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, usou seu perfil no Twitter para destacar os resultados do certame. "Há cerca de duas semanas alguns achavam que o resultado no leilão de petróleo não daria mais de R$ 500 milhões. Deu quase R$ 4 bilhões", destacou o secretário. "O leilão das hidrelétricas da Cemig também foi fantástico. Ágio de R$ 1 bilhão mostrou que acertamos na definição da outorga mínima", acrescentou.

 

Resultado. A área total arrematada no leilão foi de 25.011 km². Os blocos arrematados estão distribuídos em 16 setores de oito bacias sedimentares: Parnaíba, Potiguar, Santos, Recôncavo, Paraná, Espírito Santo, Sergipe-Alagoas e Campos.

Participaram 20 empresas, originárias de oito países, das quais 17 arremataram blocos, sendo 10 nacionais e sete estrangeiras. A assinatura dos contratos está prevista para ocorrer até o dia 31 de janeiro de 2018.

A previsão de investimentos do Programa Exploratório Mínimo - conjunto de atividades a ser cumprido pelas empresas vencedoras na primeira fase do contrato - é de R$ 845 milhões, ainda conforme a agência.

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Por fim, a ANP avisa que realizará em 27 de outubro a 2ª e a 3ª Rodadas do Pré-sal, com quatro áreas cada. "Atualmente, os dez poços que mais produzem no Brasil estão no polígono do pré-sal, que já é responsável por cerca de metade da produção brasileira."

A previsão é realizar três rodadas em 2018 e outras três em 2019, com expectativa de gerar mais de US$ 80 bilhões em novos investimentos ao longo dos contratos e US$ 100 bilhões em royalties e milhares de empregos, conclui a nota.

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