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Governo desiste no momento de incentivar crédito para veículos, diz fonte

LUCIANA OTONI E PATRICIA DUARTE - Reuters

04 Junho 2014 | 20h 50

O governo federal desistiu de adotar por ora medidas para destravar o financiamento de veículos por acreditar que as ações em estudo não gerariam efeito imediato na ampliação do crédito, disse à Reuters uma fonte ligada à área econômica que acompanha as negociações. "Essa pauta esfriou, foi engavetada", disse a fonte.

A decisão levou em consideração que duas das ações em análise --a criação de um fundo garantidor e a retomada mais rápida de veículos em caso de inadimplência-- foram avaliadas pelos bancos como inócuas no curto prazo para facilitar e ampliar a oferta de credito para a compra de veículos no curto prazo, explicou a fonte.

A medida que busca simplificar a recuperação do bem em caso de inadimplência, contudo, ainda está sendo analisada, mas demorará para ser implementada por depender de nova lei, disse à Reuters uma importante fonte da equipe econômica.

"Há consenso entre todo mundo, inclusive dos bancos, de que ela é importante... Melhora o ambiente de 'business' do financiamento de veículos", afirmou a fonte.

O setor automotivo enfrenta um período de vendas fracas apesar de as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) continuarem baixas. (IPI). As vendas de veículos novos caíram 7,2 por cento em maio na comparação anual, ficando praticamente estáveis em relação a abril.

O desempenho frustrante levou as concessionárias a projetarem queda de 3 por cento nas vendas no ano como um todo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira em entrevista a jornalistas que o setor automotivo precisa solucionar o problema das vendas fracas sem a ajuda governamental.

"O setor tem que andar com as próprias pernas", disse Mantega.

"O que estamos trabalhando é para melhorar o crédito para o setor, mas não é certo que teremos essa medida", disse o ministro.

Além disso, Mantega disse que o governo continuará recompondo as alíquotas do IPI a partir de julho.

"Teremos aumento do IPI sobre veículos, poderá ser pequeno ou não, vamos avaliar a situação do mercado", disse Mantega.

O governo reduziu as alíquotas do IPI para automóveis e outros produtos no início de 2012, com a finalidade de estimular a economia brasileira. As alíquotas começaram a ser recompostas em janeiro deste ano.