Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Governo estuda devolver cargos a deputados ‘infiéis’

Estratégia seria forma de buscar, para a reforma da Previdência, os votos de deputados que votaram contra o governo nos últimos meses

Vera Rosa e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 22h24

BRASÍLIA - Na tentativa de conseguir mais votos para aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer estuda devolver cargos que foram tirados de aliados que votaram contra o governo nos últimos meses. A sugestão foi dada a Temer pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A avaliação é a de que, com isso, 30 votos poderiam ser ganhos.

Nesse momento, cada voto é mais do que importante, já que o Palácio do Planalto identificou mais um problema para a aprovação da reforma da Previdência. Pelos cálculos apresentados por Maia, 180 deputados são contrários às mudanças na aposentadoria e não estão dispostos a mudar de posição - número muito próximo aos 205 contrários que já inviabilizariam a aprovação.

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Temer quer que a proposta vá a plenário na semana do próximo dia 18, a última antes do recesso parlamentar, sob a alegação de que, se isso não ocorrer, nada será apreciado pela Câmara em 2018.

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“Ou votamos agora ou não votamos mais”, disse Temer no jantar realizado na quarta-feira, 6, no Palácio da Alvorada, segundo relatos de participantes. Até agora, segundo apurou o Estado, o governo contabiliza de 260 a 278 votos favoráveis à reforma, mas precisa de 308. O clima no Planalto é de pessimismo.

Em relação aos cargos, Temer ainda não bateu o martelo sobre quais seriam devolvidos, mas indicou que pode rever as punições de infiéis que se comprometerem a apoiar a reforma.

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Além disso, o governo negocia mais R$ 3 bilhões para as emendas de bancada em 2018, o que elevaria automaticamente os recursos do Fundo Eleitoral. O presidente também pediu à equipe econômica que faça cálculos sobre tudo o que pode ser remanejado no Orçamento para atender às demandas dos parlamentares.

As maiores resistências às alterações na Previdência estão nas bancadas do PSDB - que controla três ministérios - e do PSD, hoje com a pasta de Ciência, Tecnologia e Comunicações. Em conversas reservadas, auxiliares de Temer dizem que o ministro Gilberto Kassab tem feito pouco esforço para convencer os deputados do PSD.

O presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, admitiu nova divisão da bancada, mas observou que o ambiente pode melhorar com a eleição do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para o comando do partido, na convenção marcada para este sábado, 9. Pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Alckmin já disse ser favorável à reforma da Previdência.

Até agora, apenas o PMDB e o PTB decidiram obrigar seus deputados a apoiar a reforma. Mas não explicitaram qual será a punição para os desobedientes.

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Recusas. Sem esconder a contrariedade com a falta de apoio, Temer afirmou, no jantar do Alvorada, que a base aliada terá de deixar claro à população, se não votar a proposta, quais os motivos para se recusar a apreciar o texto, após tantas modificações acatadas pelo governo.

“É preciso que se diga: ‘Não vamos votar porque queremos manter os privilégios e que outros paguem a conta’”, disse, segundo relatos de deputados presentes ao encontro.

Após conversar nesta quinta-feira, 7, com Temer, no Planalto, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que os aliados precisam de mais tempo. “Eu não poria para votar uma matéria dessa natureza, que tem repercussão tão grande para o País, com a certeza de derrota”, insistiu.

“Agora, vamos reforçar para a sociedade que a previdência pública tem hoje tratamento diferenciado daquele que é dado ao sistema privado, do cidadão comum.”

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