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Governo mantém exigência para airbag e ABS, mas pode salvar a Kombi

Eduardo Cucolo e Laís Alegretti - Agência Estado

17 Dezembro 2013 | 18h 37

Veículo mais antigo em produção no mundo poderá ganhar sobrevida de até três anos, mesmo sem os itens de segurança

Atualizado às 19h

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o governo vai manter o cronograma que prevê a obrigatoriedade de fabricação de 100% dos veículos nacionais, a partir de 2014, com airbag e freios ABS como itens obrigatórios. Ele afirmou, contudo, que pode ser criada uma excepcionalidade para a Kombi, o que daria mais dois ou três anos de vida para o veículo. Segundo o ministro, que esteve reunido hoje com montadoras e sindicatos, a extinção da Kombi causará muitas demissões no setor.

Aos 56 anos, a perua da Volkswagen é o veículo mais antigo em produção do mundo

"É um produto que não tem concorrente e não tem como se adaptar. Este é o maior problema que identificamos, porque a Kombi será extinta e é onde haverá mais demissões. Vai ser estudado, não há decisão, podemos criar uma excepcionalidade", afirmou. Segundo Mantega, até o momento, todas as empresas concorrentes concordaram com essa exceção, mas a decisão ficará para a próxima semana.

Na quinta-feira passada, o ministro havia se mostrado indeciso sobre a nova regra de segurança. Ele chegou a afirmar que o governo poderia adotar um escalonamento para a entrada em vigor da medida.

Na reunião desta terça, contudo, Mantega destacou que o cronograma dos itens de segurãnça não muda. "Não vamos modificar o calendário do Contran, 100% dos automóveis terão de ter ABS e airbag." Mantega disse ainda que as empresas vão se comprometer a absorver os trabalhadores que podem ser demitidos por conta da mudança.

"Vão promover absorção de trabalhadores dentro da própria fábrica ou mesmo outras fábricas se comprometeram a ajudar, minimizando o problema maior, que fica nas autopeças." 

Ele afirmou também que a questão da "rastreabilidade" de autopeças, prevista no programa Inovar-Auto, irá minimizar o problema do desemprego nesse setor. "Isso vai aumentar a produção nacional e haverá compensação pela desativação de linhas antigas." Outra medida pode ser a redução de imposto de importação, temporariamente, para peças que não tenham similar nacional.

Também se discutiu a possibilidade de se facilitar a entrada de carros elétricos no País. "Mas temos ainda de estudar isso. Não há nenhuma decisão." 

Segundo o ministro, essas e outras questões serão estudadas e será apresentado um conjunto de soluções na próxima segunda-feira, quando haverá nova reunião entre governo e representantes do setor.

IPI. Em relação à recomposição das alíquotas de IPI, Mantega afirmou que o governo não voltará atrás nessa questão e que o imposto vai subir mesmo, pois essa não é uma solução para o setor.

Também foi formado um grupo de trabalho entre governo e setor privado para discutir a questão das exportações para a Argentina e medidas para que a indústria automobilística possa manter sua competitividade no próximo ano.

"No ano em curso, tivemos bom desempenho da produção, que vai crescer sobre 2012, mas temos de assegurar que, em 2014, a produção seja maior que em 2013. Para isso, precisamos exportar. O câmbio vai estar mais favorável, mas temos de continuar aumentando competitividade da indústria brasileira."