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Governo não tem convicção do que é o ajuste fiscal, diz Mansueto Almeida

Na avaliação do economista, 'há uma tentativa desesperada de aumento da receita', como foi visto no projeto de volta da CPMF

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 12h14

BRASÍLIA - Ajuste fiscal feito às pressas se transforma em aumento de carga tributária, na avaliação do economista Mansueto Almeida. "Não gosto de ajuste fiscal feito de forma açodada porque isso significa aumento de carga tributária", afirmou durante palestra "Caminhos para o Brasil" organizada pelo Instituto Teotônio Vilela e PSDB, no Senado Federal.

"Há uma tentativa desesperada de aumento da receita, como vimos agora com a CPMF. O governo não tem convicção exatamente do que é o ajuste fiscal", acusou, durante sua participação. 

Segundo ele, não é preciso ter medo de colocar discussões sobre reforma na mesa, mas é errado fechar essas propostas em gabinetes. "Isso precisa ser negociado nesta Casa", disse. O economista salientou que os gastos com saúde cresceram 10% em 2014 em relação ao ano anterior e que situação semelhante foi vista na Educação. "Se tivesse no governo um bom gestor, esse gasto tão grande estaria se transformando em uma grande revolução e não se vê isso. O que se vê é um aumento de gastos e de impostos", argumentou. 

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O que se vê é um aumento de gastos e de impostos, diz o economista
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Ajuste fiscal, para Mansueto, é debate político em qualquer lugar do mundo porque aumentar receita ou cortar despesa é assunto que ninguém gosta. "Mas esse debate já deveria estar muito claro", disse. Ele lembrou que o ex-presidente do Banco Central e assessor econômico da campanha do PSDB para levar Aécio Neves à presidência da República falava na ocasião que era preciso plano para cada uma das áreas do novo governo.

"Infelizmente esse clareza do ajuste fiscal, e não o conta gotas, não foi posto por esse governo até hoje. Isso torna o cenário fiscal muito mais difícil. Dadas as condições atuais, o Brasil não tem como ter superávit primário nem neste ano, ou em 2016, ou 2017 ou 2018", previu. 

O economista lembrou que, há pouco tempo, especialistas que previam relação de 70% da dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) eram tidos como "lunáticos". "Agora a discussão é sobre em que mês isso vai acontecer no próximo ano. O Brasil passará a ser o País mais endividado do mundo em relação ao seu PIB e não existe nenhum país do mundo com dívida superior a 70% do PIB que é grau de investimento", comparou. 

Subsídios. Para o palestrante, o Brasil quis "abraçar o mundo com as pernas" em 2008 e 2009. Ele disse que o Tesouro Nacional passou a empresar dinheiro para bancos públicos, o que é normal, mas quando são volumes baixos. Em 2007, lembrou, esse repasse era de 0,3% do PIB e até o fim de 2014, aumentou em mais de R$ 500 bilhões. "Pode-se pensar que foi legítimo dar subsídios a empresas, mas o custo dos subsídios ficou escondido", disse.

Mansueto disse ainda que o governo não teve capacidade de fazer o País crescer e que o isso levou a um aumento brutal da dívida pública. "A conta de subsídios do próximo ano já é igual ao do Bolsa Família", equiparou, citando que cada uma dessas rubricas somará um total de R$ 28 bilhões. "Se criou no País o Bolsa Empresário." 

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