Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Governo não vai demitir Rabello de Castro da presidência do BNDES, diz Dyogo

No mesmo dia em que o ministro do Planejamento nega a substituição no BNDES, Temer almoça com o presidente do banco; governo avalia mudança de comando na instituição como forma de agradar ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 16h50

BRASÍLIA - O governo não vai demitir o economista Paulo Rabello de Castro da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantiu nesta quarta-feira, 18, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. O BNDES é ligado à pasta.

Também nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer almoçou com o presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, no Palácio do Planalto. Segundo auxiliares do presidente, os dois tiveram uma conversa sobre o andamento dos trabalhos na instituição e não se falou em uma possível substituição de Rabello no comando do BNDES.

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Na conversa com Temer, de acordo com um auxiliar do presidente, Rabello apresentou alguns projetos de trabalho e se mostrou preocupado com o parecer da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) que cobra um calendário de devolução de recursos pelo BNDES ao Tesouro Nacional. A possibilidade de aumento de financiamento a pequenas empresas para fomentar o mercado também foi tema de conversa entre os dois.

Conforme apurou o Estadão/Broadcast, o governo avalia mudar comando do BNDES como uma forma de tentar agradar ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O ministro Dyogo Oliveira disse “não saber se é verdade” que Maia pressiona pela demissão de Rabello. “A única coisa que posso afirmar com certeza é que Rabello não está sendo demitindo”, disse.

Amigo de Temer, Rabello assumiu o BNDES em junho, após a saída de Maria Silvia Bastos Marques. À época, Maia tentou emplacar Luciano Snel, da Icatu Seguros, e ficou contrariado por não ter sido consultado sobre a escolha. Segundo auxiliares de Temer, a mudança no BNDES poderia ser feita após a votação da denúncia, prevista para o fim deste mês no plenário da Câmara. Caso não haja acordo sobre o nome, a troca poderia ser feita no início de 2018.

Dyogo Oliveira, por sua vez, disse estar satisfeito com o trabalho do economista à frente do banco de fomento. “Estamos muito satisfeitos, temos tido trabalho colaborativo com BNDES, as discussões que temos tido resultaram em ações muito positivas, com lançamento de linhas (de crédito) que fizemos lá atrás, (a discussão para) auxiliar o Tesouro no cumprimento regra de ouro”, afirmou Oliveira.

Mesmo as críticas disparadas no início da gestão do presidente do BNDES às políticas de governo, como a criação da nova Taxa de Longo Prazo (TLP), que baliza os empréstimos da instituição, foram superadas. “Isso está superado, na medida em que foi inclusive formalizada uma nota conjunta”, disse.

O ministro ainda aproveitou para defender a medida. Segundo ele, a TLP é a saída para que o banco continue cumprindo seu papel. “Está claro, em decisão recente do TCU, que o Tesouro não pode ficar aportando dinheiro no BNDES, nem tem condições”, afirmou. “Portanto, solução é fazer o que se faz no mundo inteiro, que é estruturar projetos, desenvolver projetos e à medida que eles estejam performados vende para o mercado”, explicou.

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