Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Governo revisa meta de inflação após 14 anos e fixa 4,25% para 2019

Anúncio feito antes da abertura dos negócios no mercado financeiro correspondeu à expectativa de analistas; meta para 2020 foi fixada em 4%

Fabrício de Castro, Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 09h21

BRASÍLIA - Após 14 anos de meta de 4,5%, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu hoje estabelecer uma referência menor para a inflação brasileira. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou nesta quinta-feira, 29, que a meta de inflação para 2019 será de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para mais ou para menos.

Isso significa que o Banco Central, em 2019, vai perseguir os 4,25%, mas o IPCA - o índice oficial de inflação - poderá ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a instituição tenha descumprido o objetivo.

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Para 2020, a meta de inflação perseguida pelo BC será de 4,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Ou seja, o centro da meta será de 4,00%, mas o IPCA poderá ficar entre 2,5% e 5,5%.

Um decreto publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU) determinou que a meta de 2020 também seria decidida hoje. Até então, as metas de inflação de cada ano eram sempre definidas até a metade do segundo ano anterior. A partir de agora, serão decididas até o fim de junho do terceiro ano anterior. Ou seja, a meta de 2021 será estabelecida em 2018, e assim por diante.

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“Recomendamos ao presidente Michel Temer que o CMN passasse a definir as metas de inflação três anos à frente, ao invés dos dois anos que prevaleceram até agora”, disse Meirelles. “A finalidade dessa extensão de prazo é porque estamos gradualmente iniciando convergência para padrões internacionais que têm horizontes mais longos. É uma trajetória gradual inclusive de maior ancoragem de expectativas de inflação”, completou.

O ministro lembrou que o IPCA em 12 meses chegou a 3,6% em maio e ressaltou a credibilidade da política monetária do Banco Central. “As metas para 2019 e 2020 sinalizam a convergência para padrões internacionalmente consagrados e estabelecidos, ao mesmo tempo ancorando as expectativas e assegurando crescimento maior do produto potencial. Essa é uma mensagem de firmeza e consistência, em linha com a queda do desemprego para patamares históricos, e assegurando o poder de compra da população”, acrescentou Meirelles.

Desde 2005, sem interrupções, o CMN vinha estabelecendo uma meta de 4,5% para a inflação. Esta é, inclusive, a referência para 2017 e para 2018. Só que o fato de a inflação para anos à frente estar ancorada abriu espaço para que o conselho, desta vez, estabelecesse um valor menor.

Desde 3 de abril deste ano os economistas do mercado financeiro projetam, conforme o relatório Focus, do Banco Central, uma inflação de 4,25% para 2019. Assim, ao estabelecer a meta neste patamar, o CMN não gera nenhum custo adicional para o BC, em matéria de política monetária, para conduzir as expectativas, já ancoradas.

No último boletim Focus, divulgado no começo desta semana, os analistas de mercado consultados pelo BC também projetaram uma inflação de 4,25% em 2020.

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