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Governo tende a gastar mais no restante do ano com arrecadação em alta

Ao ampliar os gastos no restante de 2017, o governo aumenta o máximo permitido para as despesas do Orçamento em 2018

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 16h48

 Com a arrecadação crescendo mais do que a inflação nos últimos meses, conforme apontam dados da Receita Federal divulgados há pouco, o governo tende a elevar as despesas da União no restante do ano, em vez de tentar aproveitar a folga para reduzir o déficit, aposta o economista Everton Carneiro, da RC Consultores.

"A redução de gastos que o governo aplicou em 2016 teve impacto sobre serviços, vimos isso no Rio de Janeiro, então a tendência, com o aumento da arrecadação, é não segurar os gastos, até porque todo mundo espera que esse dinheiro seja usado, não seria nenhuma imprudência fiscal gastar mais sem estourar o teto da meta (de déficit de R$ 159 bilhões)", afirmou o economista.

Ao ampliar os gastos no restante de 2017, o governo aumenta o máximo permitido para as despesas do Orçamento em 2018.

++Arrecadação com Refis soma R$ 10,985 bilhões até setembro

++Desonerações em setembro somam R$ 7,035 bilhões

Na visão de Carneiro, a possibilidade de elevar as despesas do ano que vem também é boa para o presidente Michel Temer do ponto de vista político, uma vez que ele enfrenta uma segunda denúncia no Congresso e 2018 é ano eleitoral. "Liberação de verba sempre ajuda", disse.

O economista destacou ainda que o resultado de setembro, que mostrou aumento real de 8,66% em relação a setembro do ano passado e de 1,17% na comparação com agosto, contou com a ajuda do último Refis, que arrecadou R$ 3,4 bilhões. Ainda assim, pontuou que mesmo sem o Refis a arrecadação teria apresentado crescimento real. 

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