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Economia

Após queda em vendas de veículos, setor automotivo negocia programa de estímulo

Presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção, evitou dar detalhes do programa de renovação de frota, mas adiantou que, pela proposta em discussão, veículo usado viraria crédito na compra de novo

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André Ítalo Rocha,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 13h25

Depois de as vendas de veículos novos terem caído 26,5% em 2015, a terceira queda anual seguida, o setor automotivo já negocia com o governo a adoção de um novo estímulo ao consumo. A informação é do presidente da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção, que tem participado das discussões. Segundo ele, a medida terá como foco a renovação da frota e deverá ser lançada já neste mês, com o nome de Programa Sustentabilidade Veicular. "Há um compromisso verbal", disse.

Assumpção evitou dar detalhes sobre o programa, uma vez que as negociações ainda não acabaram, mas adiantou que há uma proposta em estágio avançado: o consumidor que possui um automóvel com mais de 15 anos de uso ou um caminhão com mais de 30 anos poderá trocá-lo por um novo em concessionárias autorizadas ou revendedoras independentes. O veículo usado seria avaliado e o valor definido viraria um crédito na compra do novo. O veículo usado não voltaria para o mercado e teria suas peças enviadas para reciclagem.

Para que o consumidor tenha mais um incentivo para comprar o veículo novo, além do crédito adquirido com a venda do usado, o governo e o setor automotivo estudam a possibilidade de oferecer algum tipo de vantagem no momento em que o consumidor for pagar o valor restante,  com a possibilidade de criação de uma linha de financiamento com juros mais atrativos.

Com a medida, a Fenabrave estima um impacto adicional de 500 mil veículos novos. Considerando somente o segmento de caminhões, o acréscimo deverá ser de 30 mil. O executivo não soube informar o impacto previsto para os demais segmentos. Além da Fenabrave, outras 18 entidades participam das conversas, entre elas a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e sindicatos de trabalhadores.

As discussões sobre o programa ocorrem em meio à terceira retração anual seguida das vendas de veículos novos. Em 2015, foram 2,569 milhões de unidades vendidas, recuo de 26,5% em relação ao volume de 2014 (3,497 milhões), o maior tombo desde 1987. Em 2014, houve recuo de 7,15% em relação ao ano anterior. Em 2013, a queda havia sido de 0,9%, a primeira baixa em dez anos.

O setor automotivo teve seu auge em 2012, quando vendeu 3,8 milhões de unidades. À época, o mercado ainda contava com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida que tornou os veículos mais baratos e estimulou o consumo. 

Sem a implementação do programa de renovação de frota, a Fenabrave espera nova queda da venda de veículos novos em 2016, de 5,8% em relação ao patamar de 2015, para 2,42 milhões de unidades, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Se a medida for adotada, é provável que a entidade revise suas previsões para o ano. 

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