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Governos não sustentam o emprego na construção

O Estado de S.Paulo

25 Junho 2014 | 02h 05

Entre março e abril, as vendas de imóveis em São Paulo aumentaram 23,1%, de 1.744 para 2.147 unidades, e o montante comercializado foi de R$ 1,32 bilhão, 34,9% maior, segundo o sindicato da construção (Secovi). Embora tenha havido queda de 17,4% nas vendas em relação a abril do ano passado, evidencia-se que os mercados da capital e da Grande São Paulo são uma exceção, pois como um todo o setor registra desaceleração.

Se o mercado paulista ainda mostra vigor, isso se deve à demanda reprimida. O que também ocorre em outras áreas metropolitanas no mundo, casos de Nova York, Londres, Paris ou Hong Kong. Nesses locais, um ritmo razoável de atividade é preservado inclusive em fases de estagnação da economia, como no Brasil hoje.

Mas, se algumas áreas geográficas ou segmentos de mercado são exceções, a diminuição da oferta de emprego no setor da construção, revelada pela reportagem de Márcia de Chiara, segunda-feira, no Estado, indica que os investimentos públicos maciços anunciados para o setor estão dando pouco resultado.

Não bastam nem as obras de Estados e municípios, frequentes em anos eleitorais, nem as concessões de infraestrutura e do programa Minha Casa, Minha Vida. Os resultados do programa estão aquém das promessas oficiais. A queda do emprego na construção foi maior na Região Norte e em Estados do Nordeste, como Pernambuco, Alagoas e Maranhão. Para a especialista Ana Maria Castelo, da FGV, "o emprego no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, exceto no Distrito Federal, está positivo, mas não é o suficiente para gerar resultados robustos na média do País".

O setor da construção civil responde por 8% da oferta de emprego, ou seja, pela contratação de 3,5 milhões de trabalhadores, segundo a reportagem. Em janeiro de 2002, a demanda de trabalhadores para o setor crescia 10% ao ano, caindo para apenas 3,1%, em janeiro de 2013, e para 1,7% ao ano, em janeiro último. E, conforme os dados do cadastro de emprego formal do Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo líquido foi de somente 2.692 vagas abertas em maio, acréscimo de 0,08% em relação a abril - um dos piores resultados em décadas.

Ainda se espera um crescimento do PIB da construção civil neste ano, mas a Tendências Consultoria reduziu a projeção de 2,2% para 0,6% e o Sinduscon-SP, de 2,8% para 1% a 2%. Se a economia perde ritmo, o mesmo ocorre na construção - e afeta o emprego no setor.

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