Grande número de tucanos está vacilando sobre a reforma da Previdência, diz Goldman

Após uma reunião esvaziada, o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, afirmou que a legenda vai esperar a definição do texto final e a data de votação da proposta na Câmara para deliberar sobre o fechamento de questão

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 14h20

BRASÍLIA - O presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, disse nesta quarta-feira, 6, que um "grande número de tucanos, talvez até a maioria" da bancada ainda está "vacilando" sobre reforma da Previdência. Goldman reforçou que a legenda vai esperar a definição do texto final e a data da votação no plenário da Câmara para deliberar sobre o fechamento de questão. Ele destacou que a decisão de outros partidos sobre o assunto não será fator "decisivo" para o PSDB.

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"Tem pessoas (no partido) que já têm posição absolutamente firmada contra, outras têm (posição) absolutamente firmada a favor, e outros têm, um grande número, talvez, até a maioria, ainda vacilando, não tendo certeza, não tendo convicção total da necessidade das mudanças", afirmou durante coletiva de imprensa.

A declaração foi dada após reunião esvaziada da Executiva nacional do partido, em Brasília, com a participação do secretário de Previdência, Marcelo Caetano, e do relator da reforma na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA). No encontro de hoje, estiveram presentes apenas 11 dos 46 deputados e quatro dos 11 senadores do partido. O líder da Câmara, Ricardo Trípoli (SP), se ausentou com a justificativa de que participaria de uma reunião de líderes na Casa no mesmo horário. O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, também participou da reunião.

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Em entrevista a jornalistas, o presidente interino do PSDB foi questionado sobre o que falta para a sigla decidir se fechará questão em torno da reforma da Previdência. "Nós não temos ainda um texto final, nós não temos ainda a data marcada para a votação. Estava previsto que seria esta semana, que seria hoje (nesta quarta), depois foi adiado para a semana seguinte. Nós não temos nenhuma confirmação de que essa votação se dará na semana seguinte. O próprio presidente (Michel Temer) está avaliando isso junto com todas as bancadas."

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Desmobilização. O presidente licenciado da legenda, senador Aécio Neves (MG) também esteve presente na reunião da executiva, e, após o grande número de ausentes, avaliou que há uma "desmobilização" na sigla em relação ao tema. Caso o texto seja aprovado sem os votos majoritários da sigla, Aécio afirmou que seria ruim para o discurso reformista do partido, mas que seria ainda pior se a matéria deixar de ser aprovada por falta de apoio dos tucanos. Ele contou que disse isso aos deputados na semana passada e que reforçou esse entendimento hoje.

"Não tenho dúvida que o governador Geraldo Alckmin tem influência da bancada, mas o que vemos hoje é um cenário de desmobilização", respondeu Aécio ao ser questionado se a eleição de Alckmin como presidente da sigla, no próximo sábado, 9, poderia mudar o cenário e aumentar o apoio à proposta no partido.

O senador mineiro disse que não sabia o motivo das ausências da maioria dos parlamentares tucanos, mas ressaltou que todos deveriam participar do debate sobre a Previdência, mesmo os que são contrários ao governo ou à reforma. "Não estar presente não é um bom sinal", disse ao comentar sobre se as ausências representariam falta de apoio.

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Aécio disse ainda que lembrou, durante a reunião desta quarta, que, quando o presidente Michel Temer assumiu o governo, o PSDB se comprometeu com um conjunto de propostas reformistas, entre elas a da previdência.

Para Aécio, não há alternativa para a reforma, a questão é discutir quando ela será feita. "Eu prefiro que seja agora, nesse formato mais enxuto, do que seja feita uma proposta ainda mais dura num futuro próximo."

Ele defendeu que o partido opte por fechar questão sobre a reforma para ficar na "vanguarda das questões estruturais do País". "A Reforma da previdência é essencial para garantir direito adquirido dos que menos têm. Não há como negar que as pressões maiores contra previdência vem daqueles que querem se aposentar com 50 anos ou até menos."

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