FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Greve na Petrobrás cresce e levanta preocupações com abastecimento

Para sindicato dos distribuidores de combustíveis, paralisação começa a afetar produção das refinarias, o que pode ter reflexo nos postos de gasolina; no governo, também há temor de que rebaixamento da nota da empresa seja acelerado

Antonio Pita, Fernanda Nunes e Idiana Tomazelli / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2015 | 22h48

A greve dos petroleiros, iniciada na quinta-feira da semana passada, pode ganhar peso na semana que vem, se também os caminhoneiros cruzarem os braços, afirmou uma fonte no comando da Petrobrás. A empresa avalia uma piora do cenário, mas considera que, nesse caso, o prejuízo vai recair sobre as distribuidoras de combustíveis, responsáveis pelo transporte dos produtos das bases de armazenamento até os postos.

A greve dos caminhoneiros está sendo convocada pelo Comando Nacional do Transporte (CNT), movimento sem filiação a sindicatos, que surgiu na internet. “A soma de duas greves pode causar um problema sério. Mas é claro que tudo depende do tempo de duração dos dois movimentos (dos petroleiros e dos caminhoneiros). A gente está acompanhando as notícias com preocupação”, afirmou o diretor de Planejamento Estratégico do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Heitor Rebeschini.

O Sindicom não verificou problemas no abastecimento até agora. “Não temos preocupações até sábado. Agora, a greve está afetando a produção nas refinarias e podemos ter problemas em meados da semana que vem”, disse o diretor de Abastecimento, Luciano Libório.

A preocupação com os efeitos da greve levou os motoristas aos postos. No Rio de Janeiro, frentistas relataram à equipe de reportagem a preocupação dos consumidores. Em alguns casos, chegou a faltar combustíveis por horas, por um aumento repentino da demanda.

Os dois movimentos grevistas – de petroleiros e caminhoneiros – reivindicam mudanças na política de governo. O movimento dos empregados da Petrobrás é liderado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada ao PT, e quer forçar a diretoria da empresa a negociar o plano de venda de ativos. Já o CNT reivindica a renúncia da presidente Dilma.

As greves foram debatidas em reunião de coordenação política comandada pela presidente Dilma Rousseff, na terça-feira. Segundo ministros que participaram do encontro, a principal preocupação de Dilma é que a paralisação dos petroleiros acelere um possível rebaixamento da nota de classificação da Petrobrás pelas agências de classificação de risco e ainda contamine a nota brasileira.

A FUP acusa a Petrobrás de comprometer a segurança de funcionários por manter empregados trabalhando por um longo período de tempo e ameaça recorrer à Justiça e ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Como os sindicalistas estão posicionados na frente das refinarias e nos locais de embarque para as plataformas, não há substituição de turno.

A greve tem maior adesão na região do Norte Fluminense, onde se concentram as unidades de produção das Bacias de Campos e Santos, as principais do País. A FUP diz que o movimento já conta com a adesão de 48 unidades marítimas, sendo 30 completamente paralisadas. Desse total, 28 são plataformas de produção e 2 são unidades de manutenção e serviços.

A greve tem adesões na Bahia, com estimativa de redução à metade na produção de campos terrestres. No Rio Grande do Norte, a produção foi interrompida em 13 unidades, com impacto de 50% a produção de óleo. Há adesão em unidades termoelétricas, de produção de biodiesel e terminais de distribuição. /COLABORARAM IGOR GADELHA e VINICIUS NEDER

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