Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Economia & Negócios

Economia » Humilhador de economista

Economia & Negócios

Infográficos|Estadão

Economia

Brasil

Humilhador de economista

O assunto câmbio continua sendo um acachapante professor de humildade para economistas e analistas econômicos

0

Celso Ming

04 Fevereiro 2016 | 21h00

O assunto câmbio continua sendo um acachapante professor de humildade para economistas e analistas econômicos. Quem julga que o domine, mais cedo ou mais tarde acabará levando o tranco que o traz de volta ao mundo real. É o que está acontecendo agora, tanto nos mercados globais como aqui dentro do Brasil.

Há apenas um mês, ninguém imaginava que o dólar perderia força no mercado global, como está acontecendo agora. A expectativa era de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) se dedicaria a retirar moeda dos mercados por meio da injeção de títulos, com o objetivo de reverter o efeito do despejo de US$ 3,5 trilhões realizado desde 2008. Pela lei da oferta e da procura, menos dólares nos mercados implicaria certa valorização da moeda americana e alta dos juros.

O Fed até começou a operação e, com isso, decidiu pela primeira alta de juros em nove anos. Mas, ainda em janeiro, foi obrigado a ir mais devagar com o andor, por várias razões. A mais importante delas é a forte ameaça de deflação que veio com a queda dos preços do petróleo e das commodities e com a desaceleração da economia da China. A alta dos juros, e, com ela, a valorização da moeda americana que se seguiria ao avanço da operação de enxugamento de dólares, acentuaria esse efeito indesejável.

Em termos práticos, a ação do Fed terá de ser muito mais gradual do que a imaginada e isso apontaria para a existência de grande liquidez de moeda forte nos mercados.

Essa maior oferta de dólares internacional se acentuou em consequência de outros dois movimentos: a fuga de capitais da China e a decisão do Banco do Japão (banco central) de trabalhar com juros negativos, o que empurrou seus bancos a se atirar em busca de novos tomadores de crédito, para não terem de pagar se deixassem depositadas suas reservas no banco central.

Apesar de todas as mazelas de sua economia, o Brasil está sendo beneficiado por essa inesperada abundância de dólares no mercado internacional. E é o principal fator que está concorrendo para a redução das cotações nas últimas cinco semanas (veja o gráfico). O outro é a significativa melhora das contas externas (redução do déficit em Conta Corrente, na qual são registradas entradas e saídas de moeda estrangeira com fluxo de mercadorias, renda e serviços).

Esse jogo não encerra o assunto porque há três forças puxando o dólar de volta para acima dos R$ 4. É a crescente deterioração das contas públicas, que aumenta a dívida líquida hoje em 36% do PIB e, assim, aumenta o risco Brasil; a iminência de novo rebaixamento do rating dos títulos brasileiros pelas agências de classificação de risco; e a forte possibilidade de agravamento da crise política e de eventualmente outros desdobramentos da Operação Lava Jato.

Como essas forças vão se compor e que resultado trarão é uma incógnita que pode seguir desmoralizando os economistas nas suas projeções do comportamento do câmbio no Brasil.

CONFIRA

Veja a evolução da produção de grãos nos últimos sete anos, pelo IBGE.

210 milhões de toneladas

IBGE e Conab, os dois organismos que se encarregam dos levantamentos da produção agrícola, apontam estimativas muito parecidas para este ano. Para o IBGE, a safra de grãos atingirá 210,7 milhões de toneladas, o que aumenta em 0,6% a produção de 2015. A Conab calcula em 210,3 milhões de toneladas, um acréscimo de 1,3% em relação ao ano passado. A área plantada prevista é de 58,5 milhões de hectares, a mesma para os dois organismos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.